O sol e a janela

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Ontem foi Terça de Terapia. O que é irônico porque a Duda, personagem de Amor Plus Size, tem a Terça de Terapia em seu próprio livro. Mas deixemos esse assunto para outra hora.

Ontem foi Terça de Terapia, e no vai e vem das conversas com a minha psicóloga, ela me disse uma coisa que está ecoando na minha cabeça até agora: "o sol brilha igual pra todo mundo, mas nem todo mundo abre a janela".

Estávamos falando sobre oportunidades e talento. Falei sobre como às vezes eu me deixava abater pelo cansaço, pela falta de motivação, pela vida. Ela me lembrou, então, que todos nós temos uma luz própria, e todos nós brilhamos; só que alguns preferem ignorar esse brilho e outros tentam brilhar mais. Daí a analogia da janela. 

Porque, sabe, é tão mais fácil às vezes deixar a janela fechada e reclamar que o dia está feio, que a vida é injusta, que o clima não está como você queria. É fácil se privar das coisas e se esconder atrás do medo, atrás da janela fechada. Esquecemos, às vezes, que nossa casa -- nossa mente -- somos nós mesmos. E eu sei, nem sempre temos controle sobre ela. Mas às vezes, naqueles dias comuns, tudo o que basta é abrir as cortinas e deixar a luz entrar. É ver o sol. É se deixar brilhar.

Porque, no fim do dia, assim como a vida, o sol não espera por ninguém.


Isolamento

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Uma das coisas que mais me incomoda sobre a ansiedade é a paranoia sobre os outros. Aquela coisa de achar o tempo todo que ninguém gosta de você.

Começa pequeno. Você está conversando com alguém, e essa pessoa, por estar sem tempo ou sem ânimo, te responde de uma maneira mais atravessada. Você decide não incomodar mais a pessoa naquele dia, e no dia seguinte, por não saber, acaba decidindo não conversar. Aí você manda uma mensagem que a pessoa se esquece de responder, ou liga num momento em que ela está ocupada e não te atende. Você não sabe como, mas de repente, aquela coisinha pequenininha já se transformou num monstro, e você tem certeza: aquela pessoa te odeia.

Você se pega evitando conversar com essa pessoa ou olhá-la nos olhos. Você começa a enxergar indiretas em todos os lugares, mesmo que elas não estejam ali. A cisma é uma coisa muito difícil de ignorar, e aquele bichinho da desconfiança não apenas falou com você, como fez sua cabeça. Você vê sinais o tempo todo e começa a repassar cada conversa e cada encontro na sua cabeça, se perguntando o que será que você fez para que aquela pessoa tenha passado a te odiar aparentemente da noite para o dia.

E de repente, você já não se sente confortável com nada, porque tem essa certeza de que, assim como aquela tal pessoa, muitas outras pensam igual. Eles não gostam de você nem apreciam a sua companhia -- de tolerar é, na verdade, um efeito colateral, e eles se arrependem amargamente de terem deixado você se aproximar, para começo de conversa. Então, para se prevenir e resguardar os outros, decide não aparecer mais. Não conversa, não liga, não sai. Você apenas não está mais ali. É o jeito mais fácil de evitar desapontamentos.

E que surpresa acontece quando alguém, talvez até mesmo aquela primeira pessoa que você se convenceu que te odiava, vem perguntar se está tudo bem. Que alívio é descobrir que ninguém te odeia -- bom, talvez alguém, mas não alguém que interesse. Você retoma suas amizades de novo, volta a ser uma pessoa normal. Mas só até quando a ansiedade deixar. Só até você escutar aquela vozinha no seu ouvido, e iniciar o ciclo todo outra vez.

 
Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger