Querida Malena

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Querida Malena,

Hoje você faria 24 anos! É engraçado pensar nisso, porque quando te conheci, você tinha 15 anos e era uma garota sem medo do mundo, forçada a passar por situações muito desagradáveis. Você era jovem demais para carregar todo o peso que foi forçada a carregar, e isso te moldou das melhores e piores formar possíveis.

Eu ainda me lembro do dia em que nos conhecemos! Eu estava em casa, assistindo um filme, quando você apareceu do nada na minha cabeça. Você me sussurrou suas lembranças, e me perseguiu durante todo aquele final de semana. Você me contou da sua família, dos seus muitos irmãos, dos acidentes inexplicáveis que estavam acontecendo com você. Não consegui sossegar até sentar e escrever a sua história.

E quanta coisa mudou nesses últimos nove anos! Graças a você, conheci leitores que se tornaram meus amigos. Graças a você, perdi a vergonha de dizer que era escritora. Graças a você, consegui alçar voos mais altos, e cheguei hoje aonde estou. Nada disso teria sido possível se não fosse você. Você me fez ter coragem, me ajudou a abandonar as incertezas. Eu aprendi tanta coisa com você, e sofri quando te fiz sofrer, chorei te vendo chorar. Crescemos juntas, cada uma à sua maneira.

Ah, minha querida Malena. Obrigada pelos últimos nove anos. Tem sido uma aventura e tanto. E espero que agora, onde quer que você esteja. a vida te trate um pouquinho melhor.

Com amor, da criadora,
Larissa

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Como nasceu #ParaAnaComAmor

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Algumas histórias são mais difíceis de contar do que outras. Às vezes a gente tem o impulso de falar sobre uma coisa, mas percebe que não está preparado praquilo. Outras vezes, a gente supera alguns demônios e se propõe a enfrentar as dificuldades de cabeça erguida.

Para Ana, Com Amor foi uma mistura das duas coisas.

A iniciativa não partiu de mim. Eu estava revisando Amor Plus Size com a Alba, antes mesmo de termos uma editora para publicar, e ela me disse: "por que você não faz um livro 'companion'? Sabe, um curtinho, contando a história da Duda?"

A ideia parecia boa. Quando penso em livros que tratam de distúrbios alimentares, consigo pensar em um, no máximo dois títulos. Como todo transtorno mental, ainda são assuntos pouco explorados e muitas vezes tratados como tabu. Eu poderia fazer diferente. Poderia?

Não lembro se respondi alguma coisa, mas lembro de ter me negado veementemente a fazê-lo. Tendo eu mesma brincado no limite, a ideia de entrar completamente na cabeça de alguém tão devastado pela doença como a Maria Eduarda era uma perspectiva assustadora. Meu primeiro pensamento foi: "esse livro vai acabar comigo". Pra que arriscar minha saúde mental? Não fazia sentido.

Mas quanto mais eu me negava a escrever, mais as ideias vinham. Uma pontinha no começo, e de repente palavras e frases e páginas inteiras. Elas me perturbavam à noite, e numa bela madrugada de Fevereiro de 2015, resolvi escrever. Três páginas à mão, e foram o suficiente para que eu me convencesse de que eu estava certa: aquele livro ia acabar comigo. Mas isso não me impediria de escrevê-lo.

Levei um ano e meio para colocar um ponto final na história. Quando terminei, já tinha passado por altos e baixos, oscilações de humor e incontáveis pequenas crises de ansiedade. Enquanto escrevia, me peguei sem querer fazendo jejum de longas horas para acompanhá-la, contando calorias das minhas refeições e me sentindo enjoada com a ideia de comer. Não é fácil escrever sobre personagens perturbados, menos ainda quando eles se relacionam de maneira tão próxima com você. Duda interferiu na minha vida e me fez chorar por dores que não vivi, enquanto sussurrava horrores ao meu ouvido. A história dela era triste, impalatável, difícil de contar. Mas contei. Cheguei ao final sabendo que dificilmente conseguiria escrever algo parecido se não tivesse me deixado levar tão intensamente pelas emoções dela.

Algumas histórias são mais difíceis de contar do que outras - mas todas merecem ser contadas.

Confira o primeiro capítulo de Para Ana, Com Amor   -   Divulgue no twitter com a hashtag #ParaAnaComAmor

La La Land e os amores que nunca foram

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ATENÇÃO: NÃO LEIA ESSE TEXTO SE NÃO TIVER ASSISTIDO "LA LA LAND". PERIGO DE SPOILER!

Semana passada fui finalmente assistir o tão premiado e comentado La La Land: Cantando Estações. Não sou exatamente fã de musicais, mas a perspectiva de um filme com duas horas de Emma Stone e Ryan Gosling foi mais que o suficiente pra me convencer a ir ao cinema.

Esperava uma história de amor regada a números de dança aleatórios, diálogos musicais e um final feliz pra acalentar o coração. Mas me deparei com cores brilhantes retratando uma realidade muito mais sem cor: a dos amores que nunca foram.

Mia e Sebastian são aquele casal incrível que pede pra acontecer; se encontram em todos os lugares, tem situações de vida parecida, e eventualmente encontram seu caminho até o outro. O romance é óbvio e mágico e te faz suspirar. A gente embala na história esperando que, como em todo filme de Hollywood, eles superem todas as diferenças e descubram que o amor é maior que tudo.

No entanto, quanto mais o filme avançava, mais eu era inundada naquele banho de água fria que é a realidade. Mia e Sebastian sempre vão se amar, da mesma forma como você nunca esquece completamente aquele seu primeiro grande amor, mas isso não é o suficiente. A vida afasta as pessoas, e a vida afastou os dois. Sonhos e carreira se tornaram maiores e mais importantes, e no final, foi preciso abrir mão de alguma coisa.

Conforme as cenas finais se desenrolavam, fiquei pensando nisso. Pensei em todas as possibilidades de futuro que nunca tive, todos os amores que deixaram de ser, todos os sonhos que perdi pelo caminho. A vida é uma estrada enorme cheia de bifurcações, e pra cada escolha que a gente faz, deixamos para trás um número infinito de futuros. Tudo que era pra ser e não foi. De repente, aqueles futuros pesaram sobre os meus ombros.

Mas então, tal qual Sebastian e Mia, acenei e sorri pro meu passado. Eu fiz minhas escolhas, e posso passar a vida inteira debatendo sobre os caminhos que não percorri, ou me concentrar na estrada à minha frente. Escolhi a estrada. Quando o jazz acabou e as luzes se acenderam, saí da sala e deixei as músicas antigas para trás.

Leia ouvindo: City of Stars
 
Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger