Identidade

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Ela não era ninguém. Isto é; era alguém, como todo mundo o é, mas não tinha certeza de quem era esta pessoa. Vinha construindo seus gostos com base nos de seus amigos, suas convicções a partir de coisas que escutava. Ela cresceu sendo tão moldada que, sem perceber, era menos pessoa e mais boneca de pano, tão vazia de si que as vezes era difícil até ficar de pé.

Ela passou muito tempo atrelando sua identidade a outros alguéns. Era irmã de fulana, prima de ciclano, namorada de não sei quem. Ela passou tanto tempo sendo o anexo de outras pessoas que, um dia, quando deixada por aqueles em volta de quem se construira, não sabia mais quem era.

E que confronto interessante foi aquele com sua própria identidade. Não teve hora nem lugar pra acontecer - não foi um embate direto, mas sim uma sequência de pequenas batalhas que não tiveram perdedores ou vencedores. Sua identidade perdida ganhou ao se recuperar, e ela ganhou ao descobrir quem era.

Mas descobriu? Não sabe ao certo. Parece que todo dia a resposta muda. De uma coisa, contudo, ela sabe: não é o apêndice de outra pessoa, não depende do olhar do outro para ser alguém. Ela existe, independente de quem a cerca. Ela resiste, e sobrepõe todas as adversidades. Ela se realiza, pelo simples fato de ser.

De ser eu.

O adeus

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Despedidas são difíceis. Sempre são. A gente acha que está pronto, que está vacinado, mas nunca está.

É difícil chegar em casa e ver um espaço vago onde as suas coisas costumavam ficar. A sensação de vazio me enche toda vez que olho pra onde você costumava ficar, e as vezes é insuportável.

Ninguém nunca está pronto pra dizer adeus a alguém que se ama, a alguém que esteve com você por mais de uma década. Não sei por quanto tempo vai doer. O que ficam são as lembranças boas. O sofrimento - o seu, em especial - acaba. A vida continua. E, seja onde for, um dia a gente se encontra de novo.
 
Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger