Conto: Luiza (parte I)


Esse é meu novo conto, e estarei postando ele aqui inteirinho a partir de hoje! Então, leiam e me digam o que acham :D



A primeira vez que eu vi a Luiza eu tinha uns dezesseis anos. Eu estava na fila pra comprar um cachorro quente do tipo nojento numa praça de São Paulo, e ela estava sentada num banco, com um caderno aberto sobre o colo, desenhando.
Eu não estava vendo muita coisa, pra falar a verdade. Só conseguia ver uma massa de cabelos pretos bagunçados e ombros retos, sentada no banco onde eu havia encostado a minha bicicleta. Enquanto o carinha fazia o meu cachorro quente – com porções extras de suor e poluição totalmente de graça – eu me perguntei onde ia comer agora que ela tinha tomado a droga do meu banco, e como ia tirar a bicicleta dali sem que ela percebesse, já que o guidão estava praticamente debaixo de um dos seus ombros.
Então eu peguei meu cachorro quente, paguei, e, analisando todas essas possibilidades, cheguei mais perto do banco, perto o bastante para fazer sombra sobre o seu desenho, e para que ela reparasse em mim. Ela se virou pra trás, e eu dei de cara com um rosto branco, bochechas rosadas, e óculos redondos que escondiam olhos perfeitamente verdes.
Ela era linda.
E ela estava puta da vida porque eu estava tapando completamente sua fonte de luz: o sol.
- Você está me atrapalhando. – ela disse pra mim, me encarando como se me desafiasse a ficar mais um minuto parado naquela mesma posição.
Ela estava ocupando a porcaria do banco todinho com o seu material de desenho, então não tinha muito que eu pudesse fazer.
- E você está sentada no meu lugar. – retruquei, mas imaginei que aquilo soasse como se eu estivesse mais para doze que para dezesseis. Ela rolou os olhos e recolheu parte de suas coisas, movendo-se para uma das beiradas do banco, longe do guidão da minha bicicleta. Empilhou seu material no meio, como se traçasse uma linha de onde era sua parte do banco e onde seria a minha. Então cruzou as pernas e voltou a desenhar.
Ok, então eu tinha onde sentar. Me sentei na outra beirada do banco e dei uma boa mordida naquele cachorro quente nojento. Eu quase podia sentir os germes criando vida dentro daquela coisa. Mas eu adorava.
Enquanto comia o cachorro quente, ela desenhava, como se eu nem estivesse ali ou sequer a tivesse atrapalhado. De esguelha, vi que ela tinha escolhido uma árvore da praça e a estava desenhando, corrigindo e refazendo traços, num esboço perfeito da planta. Tive impulso de elogiar, mas, já que ela estava me ignorando, resolvi fazer a mesma coisa e não disse nada. Depois de lamber todos os dedos cheios de molho contaminado, peguei minha bicicleta e fui embora.

[continua...]

5 comentários:

  1. gostei muito desse Blog, textos muito interessantes, Ja estou Seguindo !!
    passarei sempre por aqui pra acompanhar as postagens e atualizaçoes, ;)

    voce esta de Parabens pelo Blog :)

    Att,
    sawuelbruno™

    http://sawuelbruno.blogspot.com/

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  2. Adorei!!! =D Quero ler o restante!!!!

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  3. gostei dessa parte do conto, mas acho que assim como a Stephenie Meyer, vc exagera um pouco na "visão masculina"... só pq ele é homem não quer dizer que ele seja grosseiro com tudo, pensando em "a droga do banco" ao invés de "o banco"... isso me incomoda um pouco, pq eu conheço mts homens machos mesmo que não agem assim (pelo menos nao com tudo)
    aguardo pela continuação ^^
    bjs

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Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger