Songfics

Eu estava batendo um papo com a autora Marcele Cambeses outro dia sobre narrar sob o ponto de vista masculino, e, pra ilustrar meus problemas, mandei pra ela um conto meu, de algum tempo atrás, que acho até que alguns de vocês já conhecem. E aí, enquanto ela lia e dava seus pitacos, resolvi reler. Então tive a ideia pra esse post, que não tem absolutamente nada a ver com o assunto que eu e a Ma estávamos inicialmente conversando.


Nunca fui muito de fanfics, tanto como leitora quanto como escritora. Acho difícil me envolver num universo que outra pessoa já criou. Mas se tem um tipo de fic que eu gosto são as songfics, as fanfics musicais.

Numa definição bem vagabunda, e possivelmente um pouco incorreta, songfic é qualquer fanfic que tenha como base uma música, ou mesmo um álbum inteiro de um cantor ou banda qualquer. Sábado à Noite, da autora Babi Dewet, por exemplo, nasceu como uma songfic de várias músicas do McFly. E é por isso, por esse envolvimento com a música, que as songfics me fascinam tanto.

Aí você se pergunta "mas você não gosta de trabalhar com algo criado por outra pessoa, certo?". Certo. E nem me pergunte porque nesse caso é diferente. Apenas é.

Eu acredito que toda música conte uma história. Às vezes não é uma coisa com começo, meio e fim, mas sempre tem uma história. Palavras não vem por acaso - mesmo um clichê tem um propósito. E eu sou o tipo de pessoa que, quando escuta uma música, constantemente fica aplicando situações, e, mais frequentemente, histórias a elas. Imagino quem a cantaria, e para quem, e por quê. E talvez seja por isso que eu goste tanto de escrever e ler songfics - elas me dão novas ideias para quem poderiam ser esses personagens envolvidos na história que gerou essa música, e que música seria essa, afinal de contas.

E tem ainda aquelas canções que literalmente nos contam uma história; de uma situação, de uma vida, de uma pessoa, e quando você escuta, é como se um filme inteiro se passasse na sua cabeça, perfeitamente montado com as cenas cantadas, mas faltando aquela pitadinha de alguma coisa que você não sabe o que é. Até que descobre, e escreve, e aí o que já fazia sentido, fica ainda mais completo. Como se a música e a história existissem para serem contadas de outro jeito, com outras palavras, com as imagens que você pensou.

A parte difícil de escrever uma songfic, pra mim, é que, pra que ela fique perfeita - ou seja, em harmonia
com a música de origem - eu preciso de bem mais do que apenas imagens e sentimentos. Preciso ouvir a música milhares e milhares de vezes, até extrair dela o que eu acredito que seja a sua parte mais íntima. Como se, cada vez que eu a ouvisse, algo novo ficasse claro, até chegar um ponto de compreensão mútua em que eu não estou apenas escrevendo uma história sobre ela - estou traduzindo o que ela me conta. Não importa se aquilo que eu ouço, vejo e entendo não é o mesmo que milhares de outras pessoas que amam a mesma canção vão ouvir, ver e entender, mas, naquele momento, naquelas palavras, eu e a música estamos completamente em sintonia, perfeitamente conectadas. E esse é um estado que não é muito fácil de se alcançar.

Mesmo assim eu tento, e às vezes, consigo. Três vezes até hoje, pra ser mais exata. A primeira vez com o conto Primeiro Amor a Mil por Hora, inspirado na música My Boo; a segunda vez quando escrevi o conto Speak Now, baseado na música homônima da cantora Taylor Swift; e, mais recentemente, com o conto Luíza (que eu postei aqui no blog, e do qual a minha conversa com a Marcele e toda a ideia desse post se originou), que partiu de uma música da banda carioca Downhill. Há dezenas de outras músicas que eu gostaria de traduzir em palavras, mas, se é pra trabalhar a partir do material de outra pessoa, quero que pelo menos minha história faça jus a canção. Então, vou protelando. E um dia, quem sabe, outra música se torne tão parte de mim que resolva me emprestar sua história pras minhas mãos escreverem.

Beijinhos

3 comentários:

  1. Esse post me trouxe ótimas lembranças. Durante os anos de High School Musical, tínhamos uma comunidade no orkut (f) chamada HSM Webs. Conheci a maioria das minhas melhores amigas de hoje por lá. A gente escrevia fanfics e nelas, a maioria dos posts eram musicais! Dava um trabalho enooorme sincronizar tudo, mas o resultado era incrível. A música dá um apoio, uma força ao que está escrito e vira magia!

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  2. muito bom seu blog :)
    informações otimas

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  3. *-* o que é esse Songfic: Luiza... amei *-*

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Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger