#MLI2015 - Quarta semana

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Felipe Neto e a Idealização da Obesidade

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Procurando onde pedi sua opinião, Felipe
Eu geralmente não me envolvo em polêmicas. Eu quase nunca uso o que os outros disseram pra comentar a respeito de alguma coisa. Mas hoje eu vou abrir uma exceção, porque realmente a coisa pegou pro pessoal aqui.

Estava eu navegando nesses mares cibernéticos, quando me deparei com essa matéria do blog Lugar de Mulher, que por sua vez, citava um desabafo do Youtuber Felipe Neto sobre pessoas que o acusavam de ser gordofóbico. Não vou me dar o trabalho de ficar copiando e colando partes do discurso dele aqui, mas em suma, ele afirmou que não é gordofobia se preocupar com a saúde das pessoas, e que ele se preocupa com essa idealização do gordo, de tratar o obeso como algo "normal".

Uau, migo, valeu por essa. Eu realmente não sei como vivi todos esses anos sem a sua preocupação. Significa muito pra mim.

Depois de ler tudo o que ele escreveu, fiquei me perguntando o que exatamente ele entende como idealização. Resolvi pedir a ajuda do colega Dicionário, e ele me contou que significa  1 Ato ou efeito de idealizar. 2 Sociol Criação imaginária de normas de ação, no desenvolvimento cultural, tidas como perfeitas e apresentadas como objetivo a ser alcançado na realidade. Então, se nós mostramos respeito a uma pessoa com sobrepeso, nós estamos claramente desejando ser como elas. Claro. Afinal, não é isso que fazemos há décadas com as pessoas magras?

Vamos mais fundo nesse jogo. Pense em todas as pessoas a quem você já demonstrou respeito e consideração na vida (com sorte, será uma lista longa). Pense nos seus amigos e familiares e conhecidos de qualquer credo, raça ou sexualidade que você trata pelo que são, isto é, pessoas. Pense em todos eles e agora se pergunte: só porque você demonstrou respeito, significa que você quer ser como eles?

Acho que a resposta é não.

Felipe Neto que me desculpe, mas se hoje gordos e gordas de todas as partes do mundo lutam por alguma coisa, é apenas por isso: respeito. Como tantas outras pessoas, saímos em defesa simples pelo nosso direito de sermos tratados com nem mais nem menos que ninguém. Não quero que o mundo seja gordo. Você pode achar que não, mas eu sei que obesidade é uma doença. Eu sei que é perigoso. Eu sei que tem N outras doenças que vem junto. Mas sabe do que eu também sei? Eu sei qual o estado da MINHA saúde. Eu e apenas eu sou responsável por ela. Ninguém aqui é fiscal do peso, agente de saúde ou médico pessoal de ninguém.

Você não chega pra uma pessoa magra pensando em todos os problemas de saúde que ela pode ter e recomenda que ela faça isso ou aquilo. Você não age de maneira condescendente nem superior com aquele seu amigo magricela que come por três. Você não julga uma pessoa que tenha péssimos hábitos se ela estiver aparentemente dentro do IMC ideal. Sabe por que? Porque você não está nem aí pra saúde delas. Você está preocupado com o que acha que sabe quando olha pra alguém.

Então, por favor, pare de usar saúde como argumento. Você não sabe nada sobre a minha vida, nem sobre a de ninguém que não a sua. Não preciso estar magra pra ser saudável, assim como ninguém no peso que for, deve se descuidar da própria saúde. Não quero engordar o mundo. Não quero que todo mundo seja igual a mim. Quero apenas que ser eu mesma seja permitido, que me amar, do tamanho que for, não seja um crime. Quero que a idealização, já que você quer chamar assim, seja todo mundo idealizando a merda que quiser pra própria vida, sem julgar o do coleguinha. E quero que você e todos os outros gordofóbicos do planeta parem de achar que tem direito a opinião sobre qualquer parte da minha vida.

Larissa Responde #20

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Ser ou não ser: escritor

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Então eu sempre gostei de escrever. Quando era pequena, lá com os meus seis anos, e comecei a escrever minhas primeiras palavras, a primeira coisa que quis fazer foi contar histórias. Tenho cadernos de contos de quando tinha 7 anos. É uma coisa tão intrínseca à mim que não sei separar exatamente um momento da minha vida em que eu não estivesse escrevendo.

Mesmo assim, levei anos da minha vida pra ter coragem de dizer as palavras eu sou escritora sem sentir vergonha. Vocês sabem como é. As pessoas olham pra você como se você fosse um ET. Quem se auto-intitula escritor, afinal de contas? Não é esse um título que a gente recebe depois de reconhecido, depois de publicar um livro, depois de, como um médico, ter certa formação no assunto?

NÃO.

Não existe uma faculdade que te forme escritor. Ninguém um dia dá um diploma pra você e te diz "agora você está apto a escrever livros". A gente se forma nisso na raça, todos os dias. Os livros que lemos não são necessariamente didáticos, mas nos ensinam muito. Todos os dias, estamos produzindo algo - novo ou não, não faz diferença. Praticamos até nos sentir exaustos. Temos vergonha do que fazemos às vezes, sim, mas também temos orgulho. Não é uma coisa que um dia ninguém é, e depois vira, magicamente. Não é um título. Às vezes me pergunto se sequer é uma profissão.

É uma escolha de vida.

Escrever significa doar-se. Significa abdicar de coisas que você gostaria de fazer com o seu dia pra terminar aquele capítulo, sacrificar horas de sono pra adiantar uma revisão. Significa aceitar não ser pago pelo prazer de ter seu trabalho (re)conhecido, significa às vezes conciliar vidas paralelas pra se dedicar a uma profissão que não te dá nenhum sustento além do espiritual. Escrever significa que às vezes o seu humor vai lá pra baixo porque seu personagem não está bem, ou que você vai ficar uma semana de luto pela morte de alguém que nunca existiu. Significa sonhar acordada e falar sozinha e encarar o mundo de uma forma ao mesmo tempo poética e mecânica, destrinchando as coisas e se perguntando como elas funcionam. Significa tanta coisa mais que um monte de papel publicado.

Então, se você aí que está lendo esse texto agora se identifica com uma, duas, ou todas as coisas que disse nesse texto, saiba: você é escritor. Não importa quanto tempo leve pras suas obras virem ao mundo, ou se elas sequer nascerão um dia; você já é escritor. E ninguém pode tomar esse mérito de você.

Dona Moça - Segunda Temporada

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Há algum tempo atrás, contei pra vocês sobre o meu novo projeto audiovisual, a websérie Dona Moça. Inspirada em Senhora, de José de Alencar, Dona Moça está no ar desde Maio e a primeira temporada está quase chegando ao final.

Produzir tantos episódios, por mais curtos que sejam, não sai barato. Existem custos de alimentação, elenco, equipe, figurino e cenário envolvidos. Para essa primeira parte da série, tudo foi realizado com recursos próprios; todas investimos num projeto em que acreditamos, e contamos com a colaboração de amigos e familiares, bem como a de todos os profissionais que fizeram parte desta série e que não receberam nada pelo seu trabalho. Mas se quisermos continuar contando essa história, precisamos de ajuda.



Planejamos uma segunda temporada com mais vinte e cinco episódios, e uma série paralela que nos dará o ponto de vista de outros personagens. Para que todos esses mais de trinta vídeos possam ser realizados, começamos ontem uma campanha de financiamento coletivo através do Kickante, uma plataforma 100% confiável de crowdfunding, onde vocês podem nos ajudar com contribuições a partir de dez reais para nos ajudar a fazer desse sonho realidade. Todas as contribuições equivalem a prêmios físicos, como marcadores de texto, postais, links antecipados dos próximos episódios, e até mesmo DVDs da primeira temporada e uma edição linda e exclusiva de Senhora que estamos planejando.

Toda ajuda é bem vinda, seja na forma de dinheiro ou mesmo nos ajudando a divulgar. Se você ainda não conhece Dona Moça, clique aqui para entender melhor a proposta, e aqui para ver os episódios. Para contribuir, acesse nossa página no Kickante.
Contamos com a ajuda de vocês!
 
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