Por isso escrevo

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Eu vou escrever sobre você.

Se você passou pela minha vida, seja por uma hora, um ano ou pela vida inteira, eu vou escrever sobre você.

Se você fez parte da minha história, se me marcou de alguma forma, se esteve comigo, eu vou escrever sobre você.

Se você me fez sorrir ou chorar, se eu te amei ou te mandei pro inferno, se eu quiser me lembrar ou se estiver fazendo de tudo pra esquecer, eu vou escrever sobre você.

Eu vou escrever porque é isso o que eu faço pra me entender - eu saio de mim e viro outra, eu me distancio pra poder olhar de perto. Eu vou escrever porque tem segredos, sentimentos e palavras que só confio ao papel. Eu vou escrever porque, algum dia, na minha história, teve você.

E pra que essa memória viva para sempre, eu vou escrever sobre você.

Larissa Responde #28

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Cura

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Semana passada, fui a um casamento. Tinha sido um dia longo, a festa era longe, e minha última refeição tinha sido o almoço. Eu estava faminta. Quando a cerimônia acabou e o jantar começou a ser servido, eu já estava tremendo. Então comi. Rápido. Muito.

E quando dei por mim, e olhei o que estava fazendo e o que estava comendo e quanto estava comendo... surtei.

Surtei e precisei ser amparada até a crise passar. Surtei e precisei pedir, implorar pra que não me deixassem fazer nada contra mim mesma. Surtei, mas me acalmei, e quando a calma bateu, eu só conseguia pensar: ainda?

Já faz anos desde que eu resolvi quebrar o ciclo de punições contra meu corpo, anos desde a última vez em que precisei botar pra fora o que comi por culpa de ter comido. Mas as crises, elas não passaram. Às vezes acho que já estou mais forte e que nunca mais vou ter que passar por isso, mas então volta, e quando volta, eu me pergunto se realmente me recuperei. Se algum dia vou me curar.

A resposta é que talvez sim. Talvez não. Talvez não exista cura. Talvez eu esteja condenada a lutar contra isso pelo resto da vida, ou talvez, em algum tempo, as crises sumam por completo. Não tenho como saber - é diferente pra todo mundo.

O que importa mesmo é que desta vez eu sobrevivi, e que tenho sobrevivido a todas as crises até agora. O que importa é que não cedi e continuarei não cedendo. O que importa é que eu luto, e que venço, enquanto for preciso. O que importa é que ainda estou aqui.

Se apega, sim!

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Se joga, sim. Mande mensagens no celular tarde da noite. Ligue se tiver vontade. Manda aquela foto estranha só pra ele saber como você está. Converse por horas a fio, responda as mensagens assim que receber. Se agarre àquelas borboletas que já não visitam seu estômago a algum tempo.

Se apega, sim. Faça planos pro final de semana, pro final de ano, pro final da vida. Deseje, crie as expectativas que quiser. Sonhe, mesmo que no final não dê certo. Fale dos seus dias, e imagine dias melhores em conjunto.

Corre atrás, sim. Diga que está com saudades. Chame pra sair. Tome a iniciativa, se puder. Não deixe o frio na barriga esquentar, as borboletas morrerem nem o tempo passar. Trouxa não é quem se entrega, mas quem deixa a oportunidade passar por medo de ser aquele a dar o primeiro passo.

Nosso aniversário

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Nosso aniversário passou e eu nem reparei. Não sei por quê pensei nisso agora. Talvez seja o clima, tão igual ao que era naquele dia. Talvez seja aquele texto que escrevi sobre você, e li sem querer hoje de manhã. Talvez, como todas as outras vezes em que me lembro, seja só a vida não me deixando esquecer.

Nossos aniversários passaram, todos eles. Os individuais e em conjunto, os felizes e os tristes, e todas as memórias que eles fizeram ao longo dos anos. Queria não guardar as datas, mas você me conhece; esqueço de tudo sempre, mas quando lembro, lembro pra vida inteira. Sei os dias, os meses, as horas. Sei quantos anos se passaram - e foram tantos. E continuam passando, sem parar.

Nosso aniversário passou, e eu nem reparei, no dia. Mas reparo agora, e como acontece todo ano, fico com aquela pulguinha atrás da orelha repetindo as coisas que nunca disse, as atitudes que nunca tomei. Não sei se ainda me arrependo delas; acho que não há mais tempo pra isso. Mas que eu me lembro... ah, como me lembro.

Nossos aniversários passaram este ano, e passarão nos próximos, e quem sabe um dia eu deixe de reparar por completo. Quem sabe eu deixe de pensar no que foi, no que podia ser. Quem sabe um dia deixe de ser o nosso aniversário e se torne só um dia a mais no calendário, com nada para lembrar além de um sorriso esquecido no tempo.

O Muro e a Estrada

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Não é que você não sabe o que quer. É que tem medo de querer.

Tem medo de admitir que gosta dele e ter que fazer algo a respeito. Ou tem medo de admitir que não gosta e perder aquela segurança do ego amaciado por ter alguém por perto. 

No fundo, você sabe o que quer pra sua vida - esteve lá o tempo todo, falando com você em códigos, nas coisas que você gosta, nas pessoas que você admira, na vida que gostaria de ter. Mas tem medo do que vão falar, de como vai ser, de não dar certo, ou de dar certo e não ser tudo que você esperava.

Você sabe, só que tem medo do que sabe. O muro é mais confortável do que seguir pela estrada do caminho escolhido. Porque o muro é claro como o dia, e você sabe onde ele termina, mas a estrada... ah, a estrada é longa, e você mal consegue ver os primeiros metros dela.

Mas ficar com medo não vai clarear o caminho. Escolher o muro é escolher nunca saber, nunca tentar, nunca quebrar a cara. E daí se der errado? É experiência. E se der certo, tanto melhor. Não dá pra saber sem fazer.

E você sabe. Lá no fundo, você sabe.

Então faça.

SORTEIO DE EXEMPLARES DE AMOR PLUS SIZE

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Completa

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Eu não sou a cara metade de ninguém. Não formo nenhum OTP nem sou parte de nenhum ship. Não sou a autora preferida de ninguém, nem escrevi o melhor livro da vida de pessoa alguma. Eu não sou o exemplo de vida de ninguém, nem aquela em que alguém se espelha para fazer nada. Ninguém se pergunta "o que a Larissa faria", nem busca em mim um conselho antes de agir. Eu não sou a pessoa mais bonita da sala para nenhum olhar, nem a garota mais inteligente na opinião de ninguém.

Eu não sou nada. Eu não existo.

Exceto, é claro, para mim mesma. Porque, quando me olho no espelho, sou a garota mais bonita do mundo, e antes de agir, me pergunto "o que a Larissa faria". Sou meu próprio exemplo, e quando estou em dúvida, peso bem meus próprios conselhos. Sou minha autora favorita, e as páginas que escrevi são sempre as melhores de mim.

Sou minha própria cara metade, porque não falta pedaço nenhum de mim. Sou minha pessoa preferida no mundo porque tenho que me amar primeiro. Sou a melhor no que faço na minha própria opinião porque, se pensar um tiquinho a menos que isso, não chego a lugar algum.

Sou tudo isso porque não preciso esperar a aprovação do mundo para existir. Sou alguém. Sou eu mesma.

Simbiose

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Encaro a tela em branco mais uma vez. O que escrever? Sobre o que falar? O que vai ser dessa vez?

Estou tão acostumada com as palavras resolvendo minha vida. Desde sempre, se não consigo falar, consigo escrever. O que eu sinto, o que eu vejo, o que eu quero, tudo encontra uma tradução perfeita nas pontas dos dedos, no teclado, na tinta e no papel. Já criei pra mim essa convicção de que não tem nada que meia dúzia de palavras certas não possam fazer - exceto, talvez, criarem ideias.

Pois de que me adiantam as palavras certas se não tem nada pra expressar? Posso conhecer um dicionário inteiro e criar frases brilhantes, mas nenhuma delas fará sentido se não houver um sentimento, uma cena, um desejo a ser contado. Sou palavras, sim, mas também sou ideias, inspirações. Sou tão uma quanto as demais, tão intrinsecamente ligadas que elas coabitam e exigem de mim tudo ao mesmo tempo. Uma não existe sem as outras. A simbiose perfeita.

Então lá vou eu, encarando a tela em branco, esperando a boa vontade das minhas parasitas. Às vezes canso e fecho tudo, pronta para deixar pra outro dia. Às vezes, é na tela em branco que elas decidem aflorar. Não tenho como saber. Aguardo. Uma hora, elas fazem o que tem que fazer.

Copa das Casas #4 - Torta na Cara

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Copa das Casas #3 - Quem Disse?

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Copa das Casas #2 - Quem sou eu?

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Copa das Casas #1 - Stopotter

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Inacabado

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Outro dia estava me atualizando com os vídeos no Youtube e me deparei com uma atualização recente do canal Vlogbrothers, onde o autor John Green (você deve conhecer - americano, usa óculos, vendeu milhões com A culpa é das estrelas) falava sobre a pressão para escrever um novo livro depois do sucesso do seu último, e da aceitação de que talvez, só talvez, ele nunca mais venha a escrever outro livro.

Fiquei pensando naquilo depois que assisti. Foi engraçado ver que até um autor renomado como Green passa por um dilema tão parecido com o meu. É meio como aquela síndrome do impostor - você se convence de que não é capaz de nada, mesmo tendo todas as provas do contrário. E lá está ele, sem conseguir completar um único livro em quatro anos, lutando contra as cobranças e as pressões externas e internas.

Me lembrei de quantas vezes passei por crises como essa, ainda que em menor escala. Toda vez que entro em um bloqueio criativo, daqueles longos que duram meses, me pergunto se perdi a capacidade de escrever. Toda vez que termino algo que julguei ser muito bom, questiono se algum dia conseguirei escrever algo tão bom de novo. Sem querer, trato minha vocação como se fosse algum bem findável, uma bateria que, de tanto usar, pode acabar.

Mas não acaba - graças a Deus. Passam-se semanas, meses, talvez anos entre uma coisa boa e outra, mas elas vem. E nem só de histórias incríveis vive o escritor - às vezes tem coisas medíocres no meio. Tem páginas indo pra gaveta, pro lixo, pro esquecimento. Tem histórias inacabadas, e outras que se acabam e você se pergunta por que diabos sequer se deu ao trabalho. Tem ideias boas mal executadas, e ideias ruins bem feitas. E tudo isso faz parte. Porque ser escritor não significa publicar um livro. Significa escrever. O que vier. Sem questionar.

Então, é, John, pode ser que você nunca mais escreva outro livro. Ou que escreva, mas não seja tão bom quanto os outros. Pode ser que o mesmo aconteça comigo. Torço pra que não. Mas se for pra ser... então tudo bem.

A Fome

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"Estou com fome."

Por muito tempo, essa foi a minha frase mais odiada é mais querida. Querida porque, quando ela era dita, significava que estava na hora de comer. Odiada porque eu não tinha permissão de dizê-la.

Dos quinze aos dezessete anos, tomei um remédio para controlar o apetite que hoje é considerado tarja preta. Eu me orgulhava de não sentir fome - me sentia superior pelas horas sem comer. Mas quando parei com a medicação, o jogo virou. Eu, que já não sentia fome há anos, de repente estava faminta o tempo todo, mesmo que tivesse acabado de comer.

Mas sabe, tinha um problema: eu estava acima do peso (como, aliás, sempre estive). E quando você é/está gordo, ninguém enxerga a sua fome; todo mundo enxerga a sua gula.

"Você não comeu agora há pouco?"
"Mas já?"
"Ah, eu ainda não estou" - minha preferida. Como se a sua vontade de comer devesse influenciar a minha.

Naquela época, aprendi que eu, gorda, não podia ter fome nem vontade de comer. Eu sentia, mas não devia falar; já estava gorda, não devia estar procurando mais comida. Então desenvolvi um hábito de só dizer que estava com fome se alguém dissesse antes de mim. Era uma competição, e eu não podia perder.

Desnecessário dizer a frustração que me seguiu e me segue até hoje. Eu me privei de um direito tão básico que não demorou até eu me privar de outros mais. Não me sentia no direito de reclamar de nada porque eu estava gorda. Qualquer que fosse meu problema, ele certamente seria minha culpa. Não posso reclamar da fome. Não posso reclamar da dieta. Não posso reclamar do preconceito. Não posso reclamar da falta de roupas. Quer direitos? Emagreça. Perca peso. Esforce-se e quem sabe você entra no seleto grupo de pessoas que, por pertencerem ao padrão, tem direitos.

E é por isso que hoje eu falo. É por isso que hoje eu reclamo - do preconceito, da falta de espaço, mas principalmente da fome. Porque não preciso ser de certa maneira para ter permissão pra alguma coisa. Posso porque existo, porque sou humana. Brigo pelo meu espaço e meu direito de ser e existir, porque desde que me conheço por gente, estão tentando aos poucos me privar disso. Mas não mais. Se eu tiver fome - de comida, de respeito, de representação - nunca mais vou me calar.

Maternidade

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Outro dia dei palestra numa escola onde falei sobre meu trabalho como escritora. Dentre as várias perguntas que me fizeram, uma menina sentiu a necessidade de me perguntar se eu tinha vontade de ser mãe.

Fiquei pensando naquilo por alguns segundos, sem entender de onde tinha saído aquele questionamento. E então, naquele momento, entendi que, mesmo na cabeça de uma garota de 12 anos, associar uma mulher à maternidade já era automático. Tudo bem que eu era escritora - mas não queria ser mãe?

Eu não gosto de crianças. Não gostava quando era mais nova, e fui gostando menos conforme fui crescendo. Não tenho nenhum interesse nelas. Nunca tive vontade de ser mãe, e acho que nunca vou ter.

Mesmo assim, a sociedade me condena.

Eu quero que vocês imaginem por um segundo que ser mãe seja tipo uma profissão. Tipo, sei lá, ser médico. Imagine que você, por uma série de motivos, não queira exercer essa profissão. Você acha que não tem aptidão pra ela. Você tem outros planos de carreira, sabe? 

Mas não. A sociedade não aguenta. E aí as pessoas te dizem: mas é muito egoísmo da sua parte não querer ser médico! Medicina é uma profissão maravilhosa! Toda mulher sonha em ser médica! Você é muito nova, só não percebeu ainda. Mas se ficar muito velha, vai se arrepender de não ter sido médica enquanto podia. E os seus pais? Eles não têm direito a ter um médico na família? E seu futuro marido, e se ele quiser ser médico? Você não vai ceder?

Percebem o quanto isso é ridículo? A resposta pra isso tudo é: parem.

Parem de achar que eu ou qualquer mulher "temos que" alguma coisa. Se tem algo que não falta nesse mundo é gente procriando, então me deixem aqui em paz. Não é o meu ventre que vai salvar a raça humana da extinção. E não são meus país nem meu marido hipotético que tem que decidir sobre essas coisas. Sou eu e só eu. E parem também de jogar na cara das mulheres que mudam de ideia o "não falei?" Porque cara, sinceramente? Ela tá no direito dela. Eu to no meu direito. Eu não me imagino mãe, eu não quero ser mãe, eu não gosto de crianças, mas sei lá o que vai rolar na vida. Sei lá se eu vou mudar de ideia.

Sabe o que eu sei? Que isso é problema do meu. Se eu mudar de ideia, ótimo. Se não, ótimo também. Minha vida e a vida de todas as mulheres significa mais do que ser uma fonte de filhos. Assim como pra medicina, nem todo mundo tem vocação pra ser mãe. E já passou da hora de o mundo aceitar isso.

Clarice

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Estava lendo aquele texto do Gregório sobre a Clarice. Você sabe qual é - virou uma baita polêmica por N motivos. Mas, enquanto eu lia, só conseguia ver o quanto, de certa maneira, eu me identificava com aquilo.

Acho que todos temos uma Clarice. Eu tive uma - ou melhor, um. Renato. Não digo o nome dele com frequência. Guardo como um segredo, às vezes um que gostaria de esquecer.

Mas a verdade é que, tal qual Clarice para Gregório, ele foi uma parte importante da minha vida. Nos conhecemos na infância, ficamos juntos quando eu tinha 14 e ele 16. Ficamos quase cinco anos juntos, onde aprendemos muito sobre nós mesmos e sobre a vida. Foram bons anos. E assim como Clarice e Gregório, não deu certo. Tinha tudo pra dar, mas não deu, por motivos nossos.

Às vezes acho que faltou alguma coisa. Uma despedida, uma resolução, uma explicação, ou simplesmente um "eu estou bem" depois de tudo que passou. Tem vezes que escrevo para lembrar, tem dias em que me esforço para tirar da cabeça.

Mas mesmo assim, sei que nunca vou esquecê-lo. Hoje, enxergo o bem que a separação me fez, e fiz as pazes com o fato de que não se esquece um amor - especialmente o primeiro. Ele será sempre a minha Clarice; alguém que amei incondicionalmente, e que está tão diretamente ligado a minha própria vida que não há vida sem ele. Não faltou nada.

Corpo

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Corpo. Me desculpa. Mas eu te odeio.

Eu digo isso às vezes. Muitas vezes. Mais do que é certo. Mas sabe o pior? Às vezes eu nem preciso dizer. Você já sabe, porque eu mostrei todo dia o quanto eu te odeio. 

Eu te odeio quando coloco uma roupa e me sinto horrível. Eu te odeio quando estou com fome mas acho que não posso comer porque já estou grande demais. Eu te odeio quando eu como, e aí me odeio mais ainda porque sei onde cada grama daquela comida vai parar. Eu te odeio quando olho pra TV ou pras revistas e não sou como as outras. Eu te odeio quando me olho no espelho. Quando me vejo. Quando penso em mim.

Mas eu não quero te odiar. Eu já passei tanto tempo te odiando. 

Então me desculpa por todas as coisas que já disse e ainda vou dizer. Me desculpa por todas as coisas idiotas que já fiz tentando te mudar. Me desculpa pelas várias maneiras em que descontei minha raiva em você, em que me puni te ferindo, em que senti que te odiar era a única saída. Me desculpa por não conseguir te amar como você merece.

Mas é tão difícil. É tão difícil quando dizem pra você que você não deve. Que você tem que ser melhor, que tem que mudar, que precisa ser outra pessoa. Já me convenceram por A mais B que desse jeito está errado, e agora está difícil mudar. Me perdoa. Não desiste de mim.

Eu quero fazer as pazes com você. Eu quero voltar a te amar. Eu VOU voltar ante amar. Hoje é um batom, amanhã é uma roupa nova, e depois um elogio em frente ao espelho. É difícil. A gente sabe. Mas eu vou chegar lá.

Larissa Responde #27 (VEDA #29)

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As fotos

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Tem tantas coisas suas que guardei. Seu cheiro naquela blusa nunca lavada. Suas cartas naquela caixa que você me deu. Seu rosto na memória.

Fui ao longo dos anos me despindo das várias camadas de você. Dei um fim na blusa. Escondi as cartas e a caixa e os presentes. Não apaguei seu rosto, mas optei não me apegar às lembranças - especialmente as ruins. Mas são das fotos que não consigo me livrar.

Tem uma coisa que me prende a elas. Por algum motivo, mesmo depois de tanto tempo, elas ainda estão lá, naquela mesma pasta que criei, acumuladas e juntando poeira, armazenadas no fundo de um HD velho. Nunca mais abri a pasta, mas me dá uma certa segurança saber que ela ainda está ali.

Não tenho coragem de deletar as fotos. Não sei por quê - tenho certeza de que as suas já estão deletadas há séculos. Talvez seja porque tenho medo de esquecer; já me despedi do nosso passado há muito tempo, mas você sempre fará parte da minha vida. Apagar seu rosto seria apagar anos de aprendizado e amadurecimento. E isso... isso é difícil demais.

Então deixei as fotos lá, intocadas. Nunca mais as vi, mas não preciso. Ainda lembro delas. E se não lembrasse, também não faria diferença - é elas estarem ali que importa. Porque me despedi de você e me despedi da nossa história, mas jamais vou poder me despedir do meu passado. E espero que você também não.

Larissa Responde #26

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O hoje

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Viver às vezes é difícil.

É difícil às vezes levantar da cama quando tudo te puxa para baixo. É difícil seguir coma  vida quando às vezes você tem a impressão de que não há mais motivos para seguir adiante. É muito, muito difícil encarar a vida quando tudo que você quer é literalmente deitar e esquecer que existe. Esquecer os problemas, esquecer o futuro, o passado, o presente. Esquecer de si mesmo.

É difícil, eu sei. Às vezes dá vontade de só nunca mais fazer nada. Pra que? Qual é o ponto?

Tenho tido muitos desses ultimamente, mais do que gostaria de admitir. E às vezes eu não sei de onde tirar forças pra sobreviver às próximas 24h, porque o desânimo vem com carga total e me puxa pra um fundo de poço do qual às vezes temo não sair. E, como em todas as situações na vida em que me sinto perdida, fui buscar meus amigos.

Imponha-se metas, elas disseram. Uma coisa de cada vez, elas disseram. Foque no hoje. Amanhã a gente vê quando chegar.

Então meu foco hoje era escrever este texto. Era botar uma parte desse sentimento pra fora, mesmo que não faça lá muito sentido (fez?). Não é o ser produtiva é o fazer alguma coisa. É o passo de hoje, que se torna o passo de amanhã, e quem sabe em uma semana ou um mês, se torne uma pequena corrida de coisas a fazer. De vontade de viver.

Esse foi o hoje. E por hoje, basta.

Unhaul #3

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A bomba

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Um aluno certa vez me disse para "comprar um coração". Um amigo me disse que as vezes eu não pareço ter sentimentos. Meu chefe uma vez se espantou ao me ver chorando e disse que "não sabia que eu era tão emotiva".
Sempre estranho quando pessoas aleatórias tem essa visão tão seca de mim, porque sempre me considerei meio manteiga derretida. Houve um tempo em que eu não segurava nada pra mim - se sentisse, botava pra fora, fosse em lágrimas ou rompantes de raiva. Mas tenho que admitir que fui me guardando mais ao logo dos anos. Não sei por que.
Às vezes eu acho que, conforme fui envelhecendo, fui tendo para mim que ser uma pessoa emotiva e aberta quanto às minhas emoções era algo errado - tinha essa visão de que uma mulher adulta não podia ser tão chorona, nem tão propensa a barracos, nem tão aberta. Me fechei porque achei que estava demonstrando demais, sentindo demais, até, e gente grande não sente. Gente grande guarda.
Bom, olha aí a novidade: gente grande sente, e sente muito. E cada vez que guardo o que sinto, é como se estivesse adicionando elementos químicos a uma bomba em potencial. Vivo pisando em ovos com meus próprios sentimentos porque sei que, a hora que essa bomba cair, ela vai explodir - e arrastar tudo junto. Em vez de sentir aos pouquinhos, eu acumulo pra sentir tudo de uma vez só. 
E... Pra que?
Não me faz bem. Não me torna mais forte. Não me faz mais adulta, nem menos sentimental. Passa aquela falsa imagem de força, se inabalável, de indiferença, quando na verdade estou morrendo por dentro, cada dia com um buraco maior, uma lágrima a mais que não rolou, um desabafo que não fiz. É como se eu prendesse a respiração até o limite de explodir, e depois quisesse sentir todo o ar do mundo de uma vez. Não tem necessidade. Sentimentos , assim como ar, são necessários.
Preciso reaprender a sentir. Melhor, preciso reaprender a não ter medo de sentir. Preciso me lembrar de como era não tentar manter tudo trancado, como era só sentir e ser e deixar sair. Era tão mais fácil, tão mais limpo. Talvez assim eu não sentisse que estou prestes a explodir.

Os planos

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Nunca fui uma pessoa de planejar muito longe na vida. Acho inútil esse negócio de você ter um plano pros próximos cinco anos, como se apenas decidir que é assim que vai fazer as coisas fará com que elas aconteçam. Não é real. A vida toma seus próprios rumos. Ela muda todo dia. De que adianta planejar?

Mesmo assim, tenho cá meus sonhos, e minhas pequenas certezas, e as várias coisas que quero fazer quando sentir que estou pronta e/ou tiver a oportunidade. Escrever e entrar para uma grande editora é uma delas, sonho este que está sendo realizado agora pela Verus. Trabalhar era outro. Mas no fundo, eu sempre soube que, em algum momento, não conseguiria fazer mais as duas coisas.

Sou uma pessoa intensa. Ou me dedico por inteiro ou não me dedico mais. Não sei fazer as coisas pela metade, do mesmo jeito que não sei sentir pela metade. Por isso, sempre soube que teria que escolher, em algum momento, o rumo que queria pra mim. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, aquele negócio de olhar pra frente e planejar minha vida iria ter que acontecer. E qual foi a minha surpresa quando essa decisão foi tirada das minhas mãos, e a vida decidiu por mim?

Não sei você, mas eu acredito muito em Deus e no destino que ele traça pra gente. Acho que as coisas acontecem por motivos específicos na nossa vida - o tal efeito borboleta, mas em vez de falar de passado, falo de futuro. Toda ação tem uma reação em cadeia, e cada mínimo detalhe da sua vida altera a maneira como o seu futuro será formado. Eu tinha cá meus planos, e eles se adequavam à realidade que eu vivia. Mas a partir de um pequeno momento, tudo mudou. Meu futuro não é mais o mesmo. Os planos mudaram. E eu não sei o que virá.

Pode ser que dê certo, esse tal sonho meu. Pode ser que daqui a alguns meses eu olhe para trás e pense que aquele momento foi a decisão mais sábia de Deus, e que aquilo era justamente o que eu precisava para que o rumo do meu navio fosse ajustado pro caminho certo. E pode ser que não. Pode ser que eu olhe para frente e veja uma perspectiva ruim, e decida começar de novo. E tudo bem. Ainda tenho chances. E tenho tanto por fazer, tanto por viver, tanto a descobrir. Não saberei se não for até lá. Não saberei se só parar pra planejar - preciso experimentar. Me jogar. Tentar.

Sentirei falta daqueles dias. Dos alunos, das risadas, das histórias bobas, da rotina de sempre ter algo igual, e ainda assim diferente pra fazer. Mas, assim como confio em Deus, confio que nada nos é tirado sem que algo novo venha. Ainda não sei o que é, mas estou ansiosa para descobrir.

Larissa Responde #25

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Querido aluno

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Querido aluno,

Quando entrei nesta profissão, eu não sabia exatamente em que estava me metendo. Confesso que em alguns dias ainda não sei. Acho que nenhum professor tem realmente noção do impacto que a sua profissão tem ou terá na vida daquelas pessoas que o cercam. A gente reproduz o discurso de que o professor é uma figura importante na formação das pessoas, mas não sabe realmente o nível que isso alcança antes de experimentar por conta própria.

Você, aluno, pode ser homem ou mulher, velho ou jovem. Você pode já ter passado por vários professores ou talvez essa seja a primeira vez em sala de aula. Talvez eu não seja a sua pessoa preferida no universo - bem sei que alguns dos meus professores não foram  - mas, goste ou não, estaremos na vida um do outro por algum tempo. E como todo mundo que compartilha um tempo juntos, criaremos laços.

Não, querido aluno, eu não serei sua amiga. Mas também não serei uma total estranha. Em algum momento no nosso tempo juntos, eu saberei suas dificuldades e os motivos que criaram essas dificuldades. Eu conhecerei um pouco da sua vida e você da minha. Nunca trocaremos segredos, mas teremos algum conhecimento da vida do outro que nos dará uma certa perspectiva. Não sei exatamente o que seremos. Mas, de alguma forma, seremos próximos. Próximos o bastante para que, daqui a alguns anos, eu talvez esqueça seu nome, mas nunca esqueça seu rosto ou quem você era.

Sei que no futuro você não será mais meu aluno. Você terá uma vida própria que se estenderá para fora da sala de aula, e será alguém na vida. É isso que espero de você. É isso que todos nós esperamos quando te damos aqueles exercícios extras e conversamos com você por horas para que entenda que o esforço é a única maneira de se chegar a algum lugar. Espero que, em pelo menos uma dessas conversas, você veja que eu enxergo melhor sua capacidade do que você mesmo. E é por isso que sei que você chegará longe, onde quer que escolha ir. E como todos os caminhos da vida, este também te afastará de algumas pessoas - indubitavelmente, de mim.

Mas saiba, querido aluno, que você sempre será meu aluno para mim. E, como uma professora coruja, verei suas conquistas e me orgulharei delas e de você. Porque em algum momento eu vi onde você chegaria, e confiei, e agora você também confia e chegou até lá. E nesse tempo todo, nunca seremos mais do que somos; mas é suficiente. É uma história que vale a pena ser contada. Uma relação que vale a pena ser vivida.

Eu não sei quem dos muitos rostos que já vi e quais dos muitos nomes que me vem à mente vão ler isso. Talvez você se lembre de mim aos dezessete, entrando pela primeira vez na sala de aula, ou já aos vinte e tantos, uma animadora de torcida vestida de professora. Seja quem você for - homem, mulher, jovem, velho - saiba que eu ainda me lembro. Saiba que eu sempre lembrarei. Saiba que, aconteça o que acontecer, eu me orgulho e me orgulharei de você.

Em memória de Diego Melo Brandão

A crise

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Não sei de onde veio. Não deu nenhum sinal. Ou talvez tenha dado, mas eu ignorei. Sempre ignoro. Sempre acho que não vai acontecer de novo. Que se vier, vai ser quando estou sozinha. Que não vou precisar de ajuda.

Ledo engano.

O coração dispara. Respiro rápido, porque não consigo reter o ar. Parece que vou explodir. Ar, ar, ar, onde está? Estou tonta. Meus braços formigam. Minha visão turva. Vou cair. Vou morrer. Minha boca seca. Meu grito prende. Quero chorar mas não consigo. Passo por seis emoções diferentes em menos de um minuto - uma tristeza profunda, uma raiva do mundo, uma vontade súbita de rir, uma desesperança que me toma, uma enorme vontade de sair correndo, e aquela sensação de que o mundo está me oprimindo. Que o ar se foi. Que a vida acabou. Estou morrendo.

Alguém me pergunta alguma coisa, mas não ouço. Uma mão segura a minha. Braços pela minha cintura. Um beijo no ombro. Um afago nos cabelos. "Respira", alguém me sussurra. Eu tento. Respiro fundo uma, duas, dez vezes. Estou morrendo.

Me dão água, me dão carinho, me dão alento. O tempo todo, não deixam de segurar minha mão. Meu coração desacelera. Minha respiração estabiliza. Meu corpo todo treme. Estou gelada. Estou fervendo. Estou com medo. Não sei de quê, exatamente, mas é sempre assim - aquele temor que vem de um lugar desconhecido e que nunca vai embora. Mas dessa vez, vai. Pisco. Um carro tocando nossa música preferida passa, e eu não sei mais se estou chorando pelo ataque, pela música ou pelas pessoas. Não importa.

Elas seguram firme minha mão. Não estou sozinha. Fecho os olhos e me deixo acreditar.

Estou viva.

26

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Amanhã é 26. Você sabe. Aquele 26.

Já faz dez anos que o dia 26 virou O dia 26. Já faz seis anos que deixou de ser. Mas pra mim, continua sendo. Não sei se algum dia vou conseguir olhar pro dia 26 e pensar que é mais um dia qualquer. Que nada de comum aconteceu. Esse dia mudou tanta coisa. Mas já faz tempo que não muda mais.

Todo dia 26, faço uma peregrinação pela memória. É um dia complicado, esse 26. Já passei momentos ruins nesse dia. Já passei momentos bons. Hoje eles são neutros. São os dias em que eu me recolho cedo, em que eu paro e penso e imagino e às vezes rezo. Por você, pelo seu futuro. Por mim e pelo meu. Não, eles não são mais a mesma coisa, mas mesmo assim, gosto de te desejar o bem. Espero que você faça o mesmo.

E no dia 26, quando dou por mim, já revirei todas as memórias. Já procurei suas fotos guardadas naquele CD velho, já olhei pra caixa de lembranças que sigo forte me recusando a abrir. Olho para trás e vejo que foi o que tinha que ser e que será o que vier. Nesses dez anos, já me arrependi de muita coisa, mas também aprendi a me desarrepender - especialmente dos males que vem para o bem.

Então não, não há mais dias 26 - pelo menos não fora da minha cabeça - mas ao perdê-los, eu ganhei outros dias. Ganhei o dia 15, o dia 5 e o dia 10, ganhei datas cujas memórias carrego, mas cujos dias esqueci. Ganhei vida; às vezes triste, às vezes feliz, às vezes sozinha, quase sempre acompanhada. Ainda deliro que estou contando para você sobre o meu dia, mas me satisfaço com essa lembrança boa do seu eu imaginário. O eu dos dias 26 que não voltam mais. E tudo bem.

Então amanhã, antes de dormir, ore por mim, eu peço. Tire um minuto do seu dia e se lembre. Foram tão bons, os nossos dias 26, e os que houveram entre eles também. Não deixe que desapareçam. Ore por mim, pois estarei orando por você. Hoje e sempre.

Procura-se um olhar

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Procura-se um olhar. Um olhar sincero, direto, amigo. Um olhar de compreensão e de confidencia. Procura-se um olhar que cure males, que pare relógios, que arranque sorrisos e impeça lágrimas.

Procura-se um olhar que não olhe apenas para mim, mas que me sirva de um jeito único. Procura-se olhos que enxerguem a beleza, que transmitam o desejo, que me informem num piscar aquilo que centenas de palavras não conseguem dizer.

Procura-se um olhar que me complete. Que me veja. Que me aceite. Que me queira. Que me desfaça. Que me ponha completa de novo.

Única

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Outro dia olhei um relatório do último censo e descobri que há mais de 360 mil Larissas no Brasil. Mais do que nunca, me senti pequena. Minúscula. Uma entre muitas.

Quando eu era mais nova, queria ser diferente. Ansiava em ser única, porque em casa eu não me sentia especial: era a última de três filhos, no meio entre 11 netos, mais uma entre os sobrinhos. Não era especialmente incrível em nada. A vida inteira, quis me destacar por alguma coisa. Queria ser notada.

Achei que escrever era o caminho. Eu era a única que escrevia no meu círculo de amigos, e me sentia especial por isso. Mas queria mais. Queria ser a autora mais jovem a ser publicada. A mais jovem a alcançar best-seller. A mais, a mais, a mais.

É engraçado que correndo atrás do meu sonho, eu tenha percebido o quão pequena eu realmente sou. Depois de brigar pra ter um espacinho no mercado editorial, vi que não sou ninguém - e definitivamente não sou especial por escrever. Tem muitos outros por aí, tão bons ou melhores que eu.

E tudo bem.

Tudo bem porque eu não preciso ser extraordinária nem única em alguma coisa pra ser especial. Porque esse negocio de "especial" é muito subjetivo. Não dá pra ser única e importante pra todo mundo. Já me basta se eu fizer diferença pra uns poucos.

Então, você que está lendo, quero que você saiba que você não é o floco de neve que talvez pense que é. Você é só mais um, assim como eu. Uma Larissa em 360 mil. Você talvez não mude o mundo, e talvez não seja reconhecido por nada, nem seja famoso, nem nenhuma besteira dessas.

Mas você é especial. Neste momento, pra mim, por perder tempo lendo isso. Quando chega em casa e abraça seus pais. Quando ajuda seus amigos. Você é especial quando acorda, porque só de estar ali, vai mudar a vida de muita gente.

Lembre-se disso.

Lembranças do dia 7

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Há quatorze anos, eu comemorava o aniversário em casa. O tema era Branca de Neve. Lembro da minha decepção ao descobrir que as fantasias de princesa da loja não serviam ao meu tamanho. Tudo bem. Eu não precisava delas. O bolo já seria o suficiente.

Há nove anos, eu tinha meu dia de princesa. Sonhei com a festa de debutante por anos, e levei meses planejando aquele dia. Foi mágico. Se eu fechar os olhos e colocar a música certa, ainda me lembro de cada momento. Foi uma noite pra nunca mais esquecer.

Sete anos atrás, eu tinha meu primeiro aniversário longe da família. Foi o primeiro aniversário em que pude escolher não ir pra escola. Lembro da festa via Skype, onde fingi apagar as velas de um bolo erguido em frente à webcam. Lembro do bolo de sorvete que a minha família canadense comprou pra comemorar. Lembro que não teve nada de especial, e ainda assim mudou tudo.

Há dois anos, eu ganhei de presente a realização de um sonho. Fui pra Orlando, conheci os parques temáticos, e bem naquele dia 7, visitei o Magic Kingdom pela primeira vez. Chorei ao ver o castelo da Cinderela, e mais ainda à noite, ao ver os fogos. Éramos só eu, minha mãe e minha tia, mas eu me sentia mais completa do que em qualquer outro aniversário.

Ano passado, reuni meus amigos num dia, minha família em outro, feito que repeti esse ano. Depois de várias comemorações diferentes, percebi que o que realmente importa no dia 7 de Maio de todo ano é estar com quem eu amo, fazendo algo que me deixe feliz. Talvez seja o bolo, ou a festa grandiosa, ou o Skype, ou o castelo, ou talvez seja simplesmente um barzinho qualquer. Não importa. Se eles estão comigo, toda festa vale a pena. Se eles estão comigo, vai se tornar um dia pra lembrar.

Que venham outras festas. Outros sonhos. Novas comemorações. Com vocês aqui, será sempre o melhor dia de todos.
 
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