Tela branca

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Encaro a tela. Vejo o cursor dançar, piscando como se me provocasse. Escrevo e apago. Escrevo e apago. Todo dia a mesma coisa.

Odeio ficar sem escrever. Odeio que hoje em dia, eu precise me forçar a fazer uma coisa que antes vinha tão naturalmente. Odeio que às vezes, me sinto falsa colocando palavras no papel, como se elas tivessem perdido o sentido, estivessem vazias de significado. Mas mais que tudo, odeio o branco - na tela, no papel e na mente. Principalmente na mente.

Você se lembra, Larissa, de quando conseguia manter três livros em paralelo e se dedicar a todos eles? Lembra daquele ano em que escreveu três livros novos e dois contos, e que ainda conseguia estudar e manter uma vida social razoável? Lembra de quando o malabarismo não parecia nada, e você tinha a impressão de que seria capaz de fazer qualquer coisa, se tentasse?

Lembra como era, não ter preocupações?

Essa vida de adulto é um saco mesmo. Não por ter que trabalhar e pagar contas, mas por perceber que você realmente não tem mais 15 anos. As coisas que costumavam ser simples, como botar histórias no papel, de repente não são mais. São tantos fatores. As pessoas, o stress, a falta de tempo, a vida. Tudo é desculpa. E enquanto isso, o cursor pisca, impaciente. Laudas e laudas a serem preenchidas, mas nenhuma com o que você quer. São trabalhos pra faculdade e relatórios pra empresa, são planos de aula e trabalho, trabalho, trabalho, e nunca os contos. Nunca os livros. Nunca as histórias. Elas ficam em segundo plano.

Aí eu sento, fraude que sou, e tento escrever. Mas escrever sobre o que? As histórias estão bloqueadas. Os personagens, cansados de serem ignorados, me abandonaram. As ideias se foram. Que escritora é essa, meu deus, que não escreve sobre nada?

Escrever sobre não escrever? Talvez. Melhor que nada. Puxo o teclado e começo a digitar.

Larissa Responde #24

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Sem Título

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Queria escrever sobre você. Normalmente, quando sinto alguma coisa, é escrevendo que eu me expresso. É através das palavras que meus sentimentos fazem sentido. Não com você.
Talvez seja porque eu não sei exatamente o que acontece. Comigo, com você, entre a gente. Não sei onde estou pisando, e isso é tão... Novo. Fora de controle. Eu sempre sei. Não agora. Não com você.
Tempo ao tempo. Inspire, expire. Leve com calma. Não pense. Não problematize. Tudo bem.
Mas não escrever? Será?
Queria falar sobre essa coisa sem nome. Sobre essa sensação de sentir e não sentir ao mesmo tempo. Mas mesmo sabendo todas as palavras, não tem uma que eu escolha pra definir o que isso é. Não é sentimento. Não é físico. Não é nada. E é alguma coisa.
Então não vou escrever. Mas quando vi, já escrevi. 

Leia-me

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Existem inúmeras maneiras de se conhecer uma pessoa. Você pode observá-las de longe e estudar deus movimentos. Você pode conversar com elas por horas a fio. Você pode conviver com elas por anos.
Eu gosto de lê-las.
Nenhuma alternativa é perfeita e acho que de nenhuma maneira é possível conhecer 100% de uma pessoa. Minha mãe costuma dizer que você pode viver uma vida todinha com alguém e ainda ser capaz de se surpreender. 
Mesmo assim, quando leio alguém - suas palavras, suas entrelinhas, seus sorrisos - eu tenho essa leve impressão de que somos mais próximos. Talvez seja uma falsa intimidade, mas eu sinto que conheço as pessoas que leio. Há uma honestidade muito transparente nas palavras; não importa o quão longe da sua realidade elas sejam, elas ainda serão capazes de revelar algo a você, uma faceta que você nunca viu antes.
Então fale comigo. Deixe que eu te observe. Conviva comigo. Mas acima de tudo, escreva. Deixe que eu leia seus detalhes. Me mostre suas palavras e eu verei seu coração. Como um livro, sua alma se abre - e eu mal posso esperar para lê-la.
 
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