As fotos

0 comentários


Tem tantas coisas suas que guardei. Seu cheiro naquela blusa nunca lavada. Suas cartas naquela caixa que você me deu. Seu rosto na memória.

Fui ao longo dos anos me despindo das várias camadas de você. Dei um fim na blusa. Escondi as cartas e a caixa e os presentes. Não apaguei seu rosto, mas optei não me apegar às lembranças - especialmente as ruins. Mas são das fotos que não consigo me livrar.

Tem uma coisa que me prende a elas. Por algum motivo, mesmo depois de tanto tempo, elas ainda estão lá, naquela mesma pasta que criei, acumuladas e juntando poeira, armazenadas no fundo de um HD velho. Nunca mais abri a pasta, mas me dá uma certa segurança saber que ela ainda está ali.

Não tenho coragem de deletar as fotos. Não sei por quê - tenho certeza de que as suas já estão deletadas há séculos. Talvez seja porque tenho medo de esquecer; já me despedi do nosso passado há muito tempo, mas você sempre fará parte da minha vida. Apagar seu rosto seria apagar anos de aprendizado e amadurecimento. E isso... isso é difícil demais.

Então deixei as fotos lá, intocadas. Nunca mais as vi, mas não preciso. Ainda lembro delas. E se não lembrasse, também não faria diferença - é elas estarem ali que importa. Porque me despedi de você e me despedi da nossa história, mas jamais vou poder me despedir do meu passado. E espero que você também não.

Larissa Responde #26

0 comentários


Inscreva-se no canal pra ficar sempre por dentro das novidades.

Envie suas perguntas para as próximas edições utilizando o formulário abaixo:

O hoje

1 comentários


Viver às vezes é difícil.

É difícil às vezes levantar da cama quando tudo te puxa para baixo. É difícil seguir coma  vida quando às vezes você tem a impressão de que não há mais motivos para seguir adiante. É muito, muito difícil encarar a vida quando tudo que você quer é literalmente deitar e esquecer que existe. Esquecer os problemas, esquecer o futuro, o passado, o presente. Esquecer de si mesmo.

É difícil, eu sei. Às vezes dá vontade de só nunca mais fazer nada. Pra que? Qual é o ponto?

Tenho tido muitos desses ultimamente, mais do que gostaria de admitir. E às vezes eu não sei de onde tirar forças pra sobreviver às próximas 24h, porque o desânimo vem com carga total e me puxa pra um fundo de poço do qual às vezes temo não sair. E, como em todas as situações na vida em que me sinto perdida, fui buscar meus amigos.

Imponha-se metas, elas disseram. Uma coisa de cada vez, elas disseram. Foque no hoje. Amanhã a gente vê quando chegar.

Então meu foco hoje era escrever este texto. Era botar uma parte desse sentimento pra fora, mesmo que não faça lá muito sentido (fez?). Não é o ser produtiva é o fazer alguma coisa. É o passo de hoje, que se torna o passo de amanhã, e quem sabe em uma semana ou um mês, se torne uma pequena corrida de coisas a fazer. De vontade de viver.

Esse foi o hoje. E por hoje, basta.

Unhaul #3

0 comentários

Inscreva-se no canal pra ficar sempre por dentro das novidades.

Verifique a disponibilidade dos livros na descrição do vídeo!

A bomba

1 comentários
Um aluno certa vez me disse para "comprar um coração". Um amigo me disse que as vezes eu não pareço ter sentimentos. Meu chefe uma vez se espantou ao me ver chorando e disse que "não sabia que eu era tão emotiva".
Sempre estranho quando pessoas aleatórias tem essa visão tão seca de mim, porque sempre me considerei meio manteiga derretida. Houve um tempo em que eu não segurava nada pra mim - se sentisse, botava pra fora, fosse em lágrimas ou rompantes de raiva. Mas tenho que admitir que fui me guardando mais ao logo dos anos. Não sei por que.
Às vezes eu acho que, conforme fui envelhecendo, fui tendo para mim que ser uma pessoa emotiva e aberta quanto às minhas emoções era algo errado - tinha essa visão de que uma mulher adulta não podia ser tão chorona, nem tão propensa a barracos, nem tão aberta. Me fechei porque achei que estava demonstrando demais, sentindo demais, até, e gente grande não sente. Gente grande guarda.
Bom, olha aí a novidade: gente grande sente, e sente muito. E cada vez que guardo o que sinto, é como se estivesse adicionando elementos químicos a uma bomba em potencial. Vivo pisando em ovos com meus próprios sentimentos porque sei que, a hora que essa bomba cair, ela vai explodir - e arrastar tudo junto. Em vez de sentir aos pouquinhos, eu acumulo pra sentir tudo de uma vez só. 
E... Pra que?
Não me faz bem. Não me torna mais forte. Não me faz mais adulta, nem menos sentimental. Passa aquela falsa imagem de força, se inabalável, de indiferença, quando na verdade estou morrendo por dentro, cada dia com um buraco maior, uma lágrima a mais que não rolou, um desabafo que não fiz. É como se eu prendesse a respiração até o limite de explodir, e depois quisesse sentir todo o ar do mundo de uma vez. Não tem necessidade. Sentimentos , assim como ar, são necessários.
Preciso reaprender a sentir. Melhor, preciso reaprender a não ter medo de sentir. Preciso me lembrar de como era não tentar manter tudo trancado, como era só sentir e ser e deixar sair. Era tão mais fácil, tão mais limpo. Talvez assim eu não sentisse que estou prestes a explodir.

Os planos

0 comentários

Nunca fui uma pessoa de planejar muito longe na vida. Acho inútil esse negócio de você ter um plano pros próximos cinco anos, como se apenas decidir que é assim que vai fazer as coisas fará com que elas aconteçam. Não é real. A vida toma seus próprios rumos. Ela muda todo dia. De que adianta planejar?

Mesmo assim, tenho cá meus sonhos, e minhas pequenas certezas, e as várias coisas que quero fazer quando sentir que estou pronta e/ou tiver a oportunidade. Escrever e entrar para uma grande editora é uma delas, sonho este que está sendo realizado agora pela Verus. Trabalhar era outro. Mas no fundo, eu sempre soube que, em algum momento, não conseguiria fazer mais as duas coisas.

Sou uma pessoa intensa. Ou me dedico por inteiro ou não me dedico mais. Não sei fazer as coisas pela metade, do mesmo jeito que não sei sentir pela metade. Por isso, sempre soube que teria que escolher, em algum momento, o rumo que queria pra mim. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, aquele negócio de olhar pra frente e planejar minha vida iria ter que acontecer. E qual foi a minha surpresa quando essa decisão foi tirada das minhas mãos, e a vida decidiu por mim?

Não sei você, mas eu acredito muito em Deus e no destino que ele traça pra gente. Acho que as coisas acontecem por motivos específicos na nossa vida - o tal efeito borboleta, mas em vez de falar de passado, falo de futuro. Toda ação tem uma reação em cadeia, e cada mínimo detalhe da sua vida altera a maneira como o seu futuro será formado. Eu tinha cá meus planos, e eles se adequavam à realidade que eu vivia. Mas a partir de um pequeno momento, tudo mudou. Meu futuro não é mais o mesmo. Os planos mudaram. E eu não sei o que virá.

Pode ser que dê certo, esse tal sonho meu. Pode ser que daqui a alguns meses eu olhe para trás e pense que aquele momento foi a decisão mais sábia de Deus, e que aquilo era justamente o que eu precisava para que o rumo do meu navio fosse ajustado pro caminho certo. E pode ser que não. Pode ser que eu olhe para frente e veja uma perspectiva ruim, e decida começar de novo. E tudo bem. Ainda tenho chances. E tenho tanto por fazer, tanto por viver, tanto a descobrir. Não saberei se não for até lá. Não saberei se só parar pra planejar - preciso experimentar. Me jogar. Tentar.

Sentirei falta daqueles dias. Dos alunos, das risadas, das histórias bobas, da rotina de sempre ter algo igual, e ainda assim diferente pra fazer. Mas, assim como confio em Deus, confio que nada nos é tirado sem que algo novo venha. Ainda não sei o que é, mas estou ansiosa para descobrir.
 
Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger