Cura

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Semana passada, fui a um casamento. Tinha sido um dia longo, a festa era longe, e minha última refeição tinha sido o almoço. Eu estava faminta. Quando a cerimônia acabou e o jantar começou a ser servido, eu já estava tremendo. Então comi. Rápido. Muito.

E quando dei por mim, e olhei o que estava fazendo e o que estava comendo e quanto estava comendo... surtei.

Surtei e precisei ser amparada até a crise passar. Surtei e precisei pedir, implorar pra que não me deixassem fazer nada contra mim mesma. Surtei, mas me acalmei, e quando a calma bateu, eu só conseguia pensar: ainda?

Já faz anos desde que eu resolvi quebrar o ciclo de punições contra meu corpo, anos desde a última vez em que precisei botar pra fora o que comi por culpa de ter comido. Mas as crises, elas não passaram. Às vezes acho que já estou mais forte e que nunca mais vou ter que passar por isso, mas então volta, e quando volta, eu me pergunto se realmente me recuperei. Se algum dia vou me curar.

A resposta é que talvez sim. Talvez não. Talvez não exista cura. Talvez eu esteja condenada a lutar contra isso pelo resto da vida, ou talvez, em algum tempo, as crises sumam por completo. Não tenho como saber - é diferente pra todo mundo.

O que importa mesmo é que desta vez eu sobrevivi, e que tenho sobrevivido a todas as crises até agora. O que importa é que não cedi e continuarei não cedendo. O que importa é que eu luto, e que venço, enquanto for preciso. O que importa é que ainda estou aqui.

Se apega, sim!

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Se joga, sim. Mande mensagens no celular tarde da noite. Ligue se tiver vontade. Manda aquela foto estranha só pra ele saber como você está. Converse por horas a fio, responda as mensagens assim que receber. Se agarre àquelas borboletas que já não visitam seu estômago a algum tempo.

Se apega, sim. Faça planos pro final de semana, pro final de ano, pro final da vida. Deseje, crie as expectativas que quiser. Sonhe, mesmo que no final não dê certo. Fale dos seus dias, e imagine dias melhores em conjunto.

Corre atrás, sim. Diga que está com saudades. Chame pra sair. Tome a iniciativa, se puder. Não deixe o frio na barriga esquentar, as borboletas morrerem nem o tempo passar. Trouxa não é quem se entrega, mas quem deixa a oportunidade passar por medo de ser aquele a dar o primeiro passo.

Nosso aniversário

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Nosso aniversário passou e eu nem reparei. Não sei por quê pensei nisso agora. Talvez seja o clima, tão igual ao que era naquele dia. Talvez seja aquele texto que escrevi sobre você, e li sem querer hoje de manhã. Talvez, como todas as outras vezes em que me lembro, seja só a vida não me deixando esquecer.

Nossos aniversários passaram, todos eles. Os individuais e em conjunto, os felizes e os tristes, e todas as memórias que eles fizeram ao longo dos anos. Queria não guardar as datas, mas você me conhece; esqueço de tudo sempre, mas quando lembro, lembro pra vida inteira. Sei os dias, os meses, as horas. Sei quantos anos se passaram - e foram tantos. E continuam passando, sem parar.

Nosso aniversário passou, e eu nem reparei, no dia. Mas reparo agora, e como acontece todo ano, fico com aquela pulguinha atrás da orelha repetindo as coisas que nunca disse, as atitudes que nunca tomei. Não sei se ainda me arrependo delas; acho que não há mais tempo pra isso. Mas que eu me lembro... ah, como me lembro.

Nossos aniversários passaram este ano, e passarão nos próximos, e quem sabe um dia eu deixe de reparar por completo. Quem sabe eu deixe de pensar no que foi, no que podia ser. Quem sabe um dia deixe de ser o nosso aniversário e se torne só um dia a mais no calendário, com nada para lembrar além de um sorriso esquecido no tempo.

O Muro e a Estrada

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Não é que você não sabe o que quer. É que tem medo de querer.

Tem medo de admitir que gosta dele e ter que fazer algo a respeito. Ou tem medo de admitir que não gosta e perder aquela segurança do ego amaciado por ter alguém por perto. 

No fundo, você sabe o que quer pra sua vida - esteve lá o tempo todo, falando com você em códigos, nas coisas que você gosta, nas pessoas que você admira, na vida que gostaria de ter. Mas tem medo do que vão falar, de como vai ser, de não dar certo, ou de dar certo e não ser tudo que você esperava.

Você sabe, só que tem medo do que sabe. O muro é mais confortável do que seguir pela estrada do caminho escolhido. Porque o muro é claro como o dia, e você sabe onde ele termina, mas a estrada... ah, a estrada é longa, e você mal consegue ver os primeiros metros dela.

Mas ficar com medo não vai clarear o caminho. Escolher o muro é escolher nunca saber, nunca tentar, nunca quebrar a cara. E daí se der errado? É experiência. E se der certo, tanto melhor. Não dá pra saber sem fazer.

E você sabe. Lá no fundo, você sabe.

Então faça.
 
Larissa Siriani | Copyright © Design por Naiare Crastt • Mantido pelo Blogger