Autores nacionais pra conferir na Bienal do Livro

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A Bienal do Rio de Janeiro começa amanhã, então resolvi fazer uma compilação de indicações pra vocês que vão passar por lá nos próximos dias! Bora conhecer mais autores nacionais?






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Karen Soarele autografa no dia 9/09 no estande da Jambô Editora



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A autora Ana Cristina Rodrigues autografa no estande da Aquário, no pavilhão verde. Evento.




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Lembrando que eu também estarei por lá à partir do dia 6 de Setembro! Confira a programação na minha agenda e marque presença no evento no Facebook.

Princesas GPower - Primeiro Capítulo

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Saraiva: https://www.saraiva.com.br/princesas-gpower-9756847.html
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LEIA O CAPÍTULO NA ÍNTEGRA

Alento

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Não quero falar com você porque está tudo bem. Quero falar com você porque tive uma semana horrível e estou à beira de um ataque de nervos. Porque sua vida está virada do avesso, e você não consegue enxergar a luz no fim do túnel. Porque são três da manhã, e nenhum dos dois consegue dormir, e talvez, só talvez, a companhia um do outro seja melhor do que sofrer sozinho com os pesadelos que o estresse nos causa.

Não quero te ver porque estou com saudades. Quero te ver porque, mesmo tendo a companhia de um monte de outras pessoas, fico pensando em como gostaria que você estivesse ali. Porque mesmo que eu te veja agora, assim que você for embora, já vai estar distante demais. Porque a sua companhia é diferente da companhia dos outros, e às vezes (muitas vezes) é a única companhia que eu quero ter.

Não quero você porque sei que vai ser fácil. Quero você porque vamos discordar de várias coisas e ter longas discussões sobre nossos pontos de vista. Porque a vida é uma droga às vezes, mas ela parece consideravelmente melhor quando eu estou com você. Porque, dentre todas as pessoas difíceis, às vezes parece que eu escolhi a pior, mas você sempre me lembra que eu te escolhi por um motivo. Porque entre crises e saudades e dificuldades, meu alento no fim do dia ainda é você.

Ofício

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"Trabalho não é só o que você gosta".

Meu pai me disse isso pela primeira vez quando eu tinha uns quinze anos e estava na minha primeira crise de identidade profissional. Acho que todo mundo passa por elas nessa época de pré-vestibular, e no meu caso, não foi diferente. Mas a bem da verdade, eu sabia exatamente o que queria -- soube desde a primeira vez que escrevi um livro completo -- só não sabia como chegar lá.

Eu não conseguia entender naquela época o conceito complexo de se tornar adulto. A vida toda, vendem pra gente a ideia de que você escolhe uma faculdade, cursa, arranja um estágio, um emprego e a vida está resolvida. Vendem pra gente a ideia de estudo, esforço e mérito, e ignoram a quantidade absurda de variáveis que tem no meio do caminho. Uma delas, no meu caso, era querer trabalhar com uma coisa pra qual não se tem curso na faculdade, não se tem estágio. Como se forma um escritor? Escritor morre de fome. Não é profissão, é hobby.

Lutei por muito tempo contra a maré de pessoas querendo me fazer desistir do meu sonho. Aliás, desistir não; conciliar. É a palavra bonita que todo mundo usa quando diz que você precisa deixar aquilo de lado pra focar em trabalhos palpáveis, que tenham décimo terceiro, férias, um salário decente caindo na conta todo mês. Quando a vida adulta me atingiu em cheio, logo depois da faculdade, onde eu tinha conseguido zero estágios e zero empregos, eu voltei praquela máxima que meu pai tinha me ensinado. "Trabalhar não é só o que você gosta".

Passei a concordar com o meu velho, mas descobri algumas ressalvas também. Dizer que trabalhar não é só fazer o que você gosta não implica automaticamente que você tem que se sujeitar a situações e ocupações que fazem da sua vida um inferno só pra manter um emprego. Significa que, às vezes, pra conseguir pagar uns boletos, você precisa trabalhar atrás do balcão, limpar umas mesas, fazer trabalhos que não tem glamour nenhum, e tá tudo bem. Não quer dizer que você precisa se conformar a uma vida inteira de empregos meia-boca, mas que você talvez passe por eles pra chegar em algo melhor. Não significa que você precise passar o resto da vida chamando a sua profissão verdadeira de hobby, mas que, enquanto ela não te pagar bem o bastante, você vai ter um plano B. Planos bês são bons. Não é o fim do mundo -- pode ser só o meio do caminho.

Ainda estou aprendendo a ser adulta. Na maior parte do tempo, é uma das coisas que eu mais detesto. Meu plano B é, ultimamente, uma das coisas que mais me exaurem, mas isso é assunto pra um outro texto. Por enquanto, vou levando, pagando as contas no fim do mês. Com mais um tempinho, muito esforço, e ajuda de pessoas lindas como vocês, em breve, eu espero, quem sabe eu viva só do plano A, e aí possa dizer que trabalho, pelo menos pra mim, é só exatamente aquilo que eu amo fazer.


Texto enviado primeiro para os apoiadores do Padrim. Clique para saber como apoiar.

Cair para voar

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A zona de conforto é um lugar agradável. É o seu quarto naquelas noites frias de inverno, com uma cama quentinha, a TV sempre conectada ao Netflix e uma xícara de chocolate quente bem gostoso. É aquela reunião gostosa com os seus melhores amigos. É aquele livro que você já leu um milhão de vezes, mas sempre relê porque sabe exatamente o que esperar. Por que alguém iria querer sair de lá?

Sou muito adepta da zona de conforto. Gosto da minha. Como uma pessoa naturalmente ansiosa, pensar em atravessar essa barreira já me dá siricotico. Não é fácil. Mas há tempos, descobri que é necessário.

É necessário porque, como autora, não posso esperar crescer profissionalmente se não me arriscar. Escrever o gênero que eu já conheço e domino é bom e é fácil, mas não significa que eu não possa me aventurar em novas empreitadas. Escrever histórias de amor é ótimo e dá um quentinho no coração, mas não quer dizer que eu não deva nem consiga explorar coisas mais profundas e impalatáveis. Escrever sobre aquilo que eu conheço é maravilhoso, mas se eu não tentar me colocar no lugar de outras pessoas, tentar viver outras vidas, tentar explorar outras possibilidades, então não posso esperar que meus leitores façam o mesmo. Preciso dar um passo além se espero que meus livros sejam mais do que apenas livros, as histórias, mais do que apenas histórias.

E é necessário porque, enquanto pessoa, sei que nada vai acontecer se eu não me arriscar. Não vou conhecer lugares diferentes se não entrar naquele avião, apesar do frio na barriga. Não vou aprender nada novo se tiver medo de errar. Não vou entender a extensão das diferenças entre mim e as outras pessoas se não me abrir a escutar e a enxergar e a pensar diferente. Não vou mudar se ficar sempre na minha conchinha, sempre com as mesmas pessoas, sempre no mesmo lugar.

A zona de conforto é ótima. É meu lugar preferido. E eu sei que às vezes é difícil abrir a porta e se deparar com o precipício -- meu deus, como sei.

Mas, se eu não me arriscar a cair, nunca vou saber como é a sensação de voar.

Te gostar

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 Gosto das tuas mãos quando tocam o meu corpo. Gosto do toque gelado, que contrasta com a minha pele. Do peso que elas têm na minha nuca, sobre os meus ombros, na minha cintura e nas minhas mãos quando você é quem me mantém em terra firme.

Gosto dos teus olhos quando encontram os meus. Gosto de como as vezes te pego me olhando e me pergunto se você pensa o que estou pensando enquanto olho pra você.

Gosto da tua voz quando diz meu nome. De sentir esses sentimentos que surgem no silêncio e as sensações que sinto eu nos sussurros de quando ressoa pra mim.

Gosto de você quando é comigo, mas de quando é sem mim também. Gosto de quando tem vida própria e imagino essa realidade paralela das existências múltiplas que você tem longe daqui. Que seja protagonista, sim, mas também personagem, e que, quando volta, me conte tuas histórias com as mãos que me tocam, os olhos que me observam e a voz que me carrega, dia após dia para um passo além de mim.

Fuga

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Desde que eu me lembro por gente, fujo da vida na ficção.

Às vezes, eu fujo nas telas. Me perco em filmes, em séries de TV. Passo dias inteiros maratonando episódios, me divertindo e me emocionando com meus personagens preferidos, ficando tensa com o desenrolar das suas histórias. Ou então, entro no meu santuário preferido e me permito escapar no escuro de um cinema, experimentando aquela sensação deliciosa de estar tão cercada por outra realidade que não vejo o tempo passar e, quando acaba, frequentemente me esqueço até do meu próprio nome.

Outras vezes, eu fujo nas páginas. Tenho mil mundos de possibilidades nas estantes atrás de mim, e as ouço sussurrar seus segredos à noite. Não existem problemas quando abro as páginas de um livro e me esqueço da vida entre elas. Posso ir para Hogwarts, ou para a Escócia de 1743, posso viajar até outro planeta ou simplesmente me aventurar na vida de outra pessoa em minha própria cidade. Posso ser livre.

Mas há ainda as vezes em que fujo para dentro de mim mesma. Há um universo inteiro me esperando sem que eu precise ir muito longe; basta fechar os olhos, e estou lá. Nem sempre estou segura nesta fuga -- às vezes, ela me leva para lugares que preferia não visitar -- mas ainda assim, fujo. Fujo porque preciso, e porque, mais dia ou menos dia, não vai adiantar fugir dela também. Escapo de dentro para fora, da mente para as pontas dos dedos, na esperança que, de alguma forma, quem vier fugir em mim encontre seu escape também.




Texto feito à partir da sugestão de Leonardo Oliveira

Para que eles saibam

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Eles disseram que remédios para emagrecer estão liberados outra vez. Mas será que eles sabem?

Será que sabem das pílulas que tomei escondido, dos efeitos colaterais que suportei? Será que eles sabem do peso rápido que perdi e tornei a ganhar, da dependência que eles me causaram? Será que querem saber?

Eles disseram para colocar espelhos na cozinha. Mas será que eles sabem?

Será que sabem das horas comendo em frente ao espelho até que eu tivesse nojo de mim mesma por sentir fome? Será que ele sabem que não consigo ter espelhos no meu próprio quarto, porque sou incapaz de lidar com o meu próprio reflexo? Será que sabem sobre as vezes em que eu chorei em frente a ele e me xinguei de burra, de fraca e de incapaz, porque por mais que eu quisesse, por mais que eu tentasse me livrar delas, todas as minhas falhas ainda estavam ali? Será que se importam em saber?

Eles disseram que jejum é bom. Mas será que eles sabem?

Será que sabem das horas que eu jejuei para merecer uma refeição que eu queria muito, ou para me punir por ter comido demais? Será que eles sabem dos desafios que fazia comigo mesma, tentando transformar cinco horas em seis, e seis em oito, e oito em doze, e doze em vinte e quatro? Será que faz alguma diferença?

Ninguém precisou me dizer para fazer. Mas se tivessem dito, eu teria feito. E teria feito porque acreditava que era bom, que era certo, que era eficaz. Teria feito porque estava desesperada. Não porque sou fraca. Não porque queria estar doente.

Mas porque o mundo
não para
de tentar
me fazer
diminuir

Será que eles sabem?


Texto inspirado neste post.

Schadenfreude

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A miséria adora companhia. Já ouviu esse ditado?

Há um pouco de verdade nele; nada me tira mais de uma fossa do que saber que alguém (preferencialmente, o mesmo alguém que me colocou nessa fossa) está pior do que eu. Saber que você não está na pior das situações pode ser reconfortante, por mais egoísta e horrível que pareça.

Mesmo assim, o contentamento com a desgraça alheia deveria ter um limite. Somos todos humanos, é claro, imperfeitos à nossa própria maneira; nenhum de nós está a salvo de sentimentos ruins. Mas nada a meu ver tem impacto tão negativo quanto desejar e se felicitar com a dor do outro.

Está em coisas pequenas, quase insignificantes: naquele bem feito que a gente diz quando uma pessoa que a gente não gosta se dá mal; na risada que a gente dá quando descobre que nosso ex está na pior enquanto nós demos a volta por cima; no sorriso que a gente não consegue evitar quando o vilão (da vida ou da ficção) é punido de alguma maneira horrível. Às vezes, a gente se engana chamando esse sentimento de justiça -- na real, é algo muito mais sombrio do que isso.

Talvez seja inocente e até um pouco hipócrita da minha parte desejar que esse tipo de alegria às custas do sofrimento dos outros desaparecesse. Quão difícil pode ser apenas viver e deixar os outros viverem, e não ver graça no horror de outra pessoa? Mas sei que o buraco é mais fundo que isso. Esse sentimento não faz de nós psicopatas, torcendo ou até mesmo causando o pior aos outros, mas apenas humanos. Não bons, nem maus: apenas humanos.




Texto escrito à partir da sugestão de Petra Leão no Twitter.

Mar aberto

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Ela sempre dava tudo de si. Para ela, relações eram como um enorme mar de possibilidades. Não havia meio termo -- eu entra de cabeça, de uma vez, ou simplesmente não entra.

Por não saber como ser menos, ela sempre era mais: mais carinhosa, mais aberta, mais receptiva, mais confiável. Fazia tudo por quem amava, porque seu amor não conhece limites. Doava-se. Das cartas de amor aos muitos favores, dos pequenos esforços aos grandes gestos, dificilmente dizia não.

Então um dia algo começou a incomodá-la. Olhou para seu breve mar e percebeu que tudo aquilo que ela entregava, as ondas não traziam de volta. Não haviam cartas em resposta, nem grandes gestos, nem pequenos favores. Percebeu que, enquanto ela dava tudo que tinha, os outros às vezes a retribuíam com migalhas; às vezes com nada. Enfureceu-se: decidiu que não seria mais a nadadora fiel que dá de toda sua energia a cada braçada, e se tornaria mar, como os outros, tomando o que lhe dessem sem se preocupar em retribuir mais que uma maré boa quando assim lhe conviesse.

Mas não durou muito, percebeu que não sabia viver assim. Quem é copo cheio não consegue se contentar em ser copo vazio. Aquele tudo que ela costumava entregar a todos fazia falta principalmente a ela, pois que graça tem uma relação em que nada se cede, nada se doa?

Por não conseguir mais ser menos, tornou-se mais novamente. Escreveu suas cartas. Prestou os favores. Fez suas grandes declarações. Foi fiel a si mesma. Entendeu que não se atirava de braços abertos ao mar porque esperava que o mar fosse igualmente bondoso com ela; não há como cobrar reciprocidade do imprevisto. Talvez nadasse eternamente, talvez se afogasse, talvez voltasse à costa. Descobriu que o mais importante era mesmo isso: jogar-se ao mar. Entregar-se. Sem esperar nada em troca.


Texto inspirado na sugestão da @jacdeoliveira no Twitter 

A magia de cada página

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A relação de livro e leitor é mágica. Eu sempre soube disso, desde o primeiro instante em que consegui ler uma história, ou em que descobri o encanto de uma livraria. A conexão que se forma é única e, por vezes, inexplicável.

Mas nada me mostrou mais essa conexão do que Harry Potter.

Me lembro que, ao descobrir o filme, lá em 2001, tive aquela mesma reação de todas as crianças da época: quero viver nesse universo. Saí do cinema com os olhinhos brilhando, e no mesmo mês, voltei outras duas vezes para me aventurar por Hogwarts. No auge dos meus nove anos, faltando apenas dois para a idade de ser aceita na melhor escola de magia do mundo, eu já treinava meus feitiços com varinhas invisíveis pela casa. Mas até então, eu não sabia que havia um livro.

Eu já era uma leitora em potencial naquela época, que vivia descobrindo livros na biblioteca da escola, mas não lia com a mesma velocidade nem com a mesma voracidade que tenho agora. Lembro de, um dia, minha madrinha vir nos visitar e dizer que tinha comprado os livros daquele filme do bruxo. Lembro de implorar para que ela me emprestasse, e, na semana seguinte, ela me trouxe um, O Prisioneiro de Azkaban. Sem saber que era uma série, ou que os livros deveriam ser lidos em ordem, eu li; e, quando ela me trouxe o segundo, na semana seguinte, e o primeiro, duas semanas depois, passei um mês inteiro apenas lendo aqueles três livros. Foi amor à primeira página.

Criei uma relação especial e única com Harry Potter desde então. Digo única porque, apesar de muitas pessoas terem passado por experiências semelhantes, a minha é só minha. Li os livros emprestados de amigos ou da biblioteca, acompanhei o lançamento de cada filme, fui em pré-estreias, fui ao cinema seis vezes na mesma semana para rever o mesmo filme. Discuti cada capítulo com as minhas amigas e gritei quando entreouvi sem querer spoilers sobre a morte de Dumbledore. Comprei o último livro em inglês, mesmo nunca tendo lido em outro idioma antes, e desisti da leitura na metade, mas fingi que tinha entendido tudo que acontecia só para parecer mais antenada. Chorei com o trailer dos últimos filmes e fui à última pré-estreia sozinha, durante um intercâmbio, depois de ficar seis horas em uma fila gigantesca. Reli os livros. Visitei o parque. Comprei coisas. E, quinze anos depois, a magia dessa relação que se formou entre mim e os livros nunca deixa de me surpreender.

Harry Potter mudou e moldou minha vida, talvez de maneiras que eu sequer saiba. Essa é a parte mais especial de ser leitor -- a gente vive através dos livros, e muda por conta deles. Cada história se torna parte da nossa. Cada personagem se torna nosso amigo íntimo. Cada autor se torna um pedaço da nossa vida.

E eu me pergunto, daqui a vinte anos, será que alguém poderá dizer o mesmo de algum livro meu?

Eu espero que sim.

Sobre partidas

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Queria ser do tipo de pessoa que confia que os outros vão ficar. Queria ser alguém que não se desespera com os próprios pensamentos. Queria ser alguém que não se perde nas próprias expectativas irreais.

Não sou.

Estou sempre esperando que alguém vá embora. Não porque quero que vá -- mais que tudo, temo a solidão -- mas porque tenho essa certeza dentro de mim que, mais dia, menos dia, todos irão me deixar.

Vão me deixar porque se darão conta de que não sou quem eles pensavam que eh era. Porque se cansaram de mim, das minhas inseguranças, de quem eu sou. Vão me deixar porque eu não sou suficiente nem pra mim mesma, então como posso bastar pra outra pessoa?

Vão embora porque sempre vão, no final.

Eu também iria, se pudesse.

Queria não sentir essa necessidade de mostrar todos os meus lados logo de cara, pra facilitar e apressar a decisão de ir embora. Queria confiar em outra pessoa do mesmo jeito como confio em mim -- mais, até, já que nem sei se confio tanto assim em mim mesma. Queria não acreditar que todo mundo vai embora.

Mas não sou. E me afasto. Me desculpe.

Sentidos

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Com meus olhos, eu te estudo. Conheço seus traços, memorizo a cor dos seus olhos, a curva que a sua boca faz quando você sorri. Para mim, você é único -- não por ser o mais bonito, nem diferente de todos os outros, mas por estar aqui. Porque, dentre todas as possibilidades e pessoas, você escolheu a mim e escolheu ficar.

Sob meu toque, eu te celebro. Venero a textura da sua pele, o sabor do seu beijo, o calor do seu corpo quando encontra o meu. Para mim, você é especial -- não por ser melhor, mas porque está comigo. Porque, de todos os abraços que já ganhei, o seu é o mais quente, o mais sincero.

Em minha mente, eu te desnudo. Relembro sua voz, seu toque, seu cheiro. Te imagino comigo e me permito sonhar, só por um instante, que não existe tempo, distância ou saudade. Para mim, você é presente todos os dias -- não por estar sempre aqui, mas por tentar estar junto.Porque, por mais que o tempo passe, a distância persista e a saudade aumente, todos os dias, ainda é você quem me faz sorrir.

Transborde-se

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Não te desejo alguém que junte seus pedaços. Você não está quebrada, não precisa de conserto. E se precisar, não é outra pessoa que vai poder fazer isso por você; só você é capaz de remontar seu próprio quebra-cabeças.

Não te desejo alguém que te faça perceber o quanto é especial. Sua beleza e seu valor não estão nos olhos de outra pessoa. Se você não as enxergar, então não poderá vê-las através de ninguém.

Não te desejo alguém que te faça esquecer de tudo. Amar é bom, mas outras coisas também são importantes.

Mas te desejo alguém que te ajude a colar aquele pedacinho perdido. Que não te deixe esquecer do quanto é maravilhosa. Alguém com quem você queira dividir todos os aspectos da sua vida.

Não te desejo alguém que te complete; você já é inteira. Te desejo alguém que te exceda. Que te transborde.

A Falácia da Produtividade

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Termine o livro. Adiante aquele freela. Dê banho nos cachorros. Leia três livros por semana. Faça, faça, faça -- ficar desocupado é o fim. Protelar é impensável. Meio da semana, e você aí, improdutivo?

Trabalhar de casa pode ser a melhor coisa, mas às vezes é uma merda. Especialmente porque eu nunca sinto que tenho permissão (de mim mesma, da minha família, do universo) para ser um ser humano normal e fazer coisas simples como tirar uma soneca, ou ver uma série. Todas as atividades não relacionadas a trabalho realizadas dentro do "horário de trabalho" (a.k.a. o famoso horário comercial) são um desperdício de tempo e de energia.

E aí, acontece como aconteceu em vários momentos nessas últimas semanas. Em meio à correria para terminar o livro novo, vídeos para gravar e editar e freelas pra terminar, me vi experimentando um esgotamento que parece quase ridículo para alguém que trabalha literalmente ao lado da própria cama. Não conseguia ter ideias. Não conseguia produzir. Comecei a cochilar em cima do teclado.

A gente vive numa era em que muito se cobra e pouco se recebe. Produza, produza, produza -- mas por um salário meio pombo, uma divulgação sem vergonha, um retorno mínimo, que às vezes nem paga o esforço que a gente dá. Estamos tão acostumados a vivermos em função do trabalho (ou, pelo menos, eu estou) que a gente esquece que precisa ser improdutivo às vezes. Que precisa e deve ter um dia de preguiça, um dia sem fazer nada, um dia sem pensar.

Mais do que isso, esses dias fazem bem! Depois de um dia de descanso, a mente se renova o bastante para pensar em novas ideias, tem energia o suficiente para dar um gás naquilo que você precisa fazer. Todo mundo precisa de um descanso, e às vezes, só aquele soninho da noite não é suficiente, especialmente se você, como eu, vai deitar, mas a cabeça continua trabalhando e te impede de dormir por muitas horas.

Então, acho que aprendi minha lição. Protelar pra sempre não é bom, mas tudo bem se dar uma folga merecida. Tudo bem não ser criativo 100% do tempo, tudo bem escolher por as séries em dia em vez de escrever aquelas 200 páginas. Tudo bem ser improdutivo. Todo mundo precisa disso. Eu certamente preciso. O melhor a fazer é aproveitar.

Larissa Responde #31

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Frio na barriga

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Gosto de como você faz eu me sentir. Essa coisa que floresce no meio euro e se espalha pelo meu corpo, e que não sei bem explicar o que é.

Gosto dessa sensação que faz eu me sentir com catorze anos de novo, me apaixonando pela primeira vez. Gosto de ter seu rosto em que pensar à noite, seus abraços com que sonhar.

Gosto desse frio na barriga que me acompanha sempre que vou te ver. Essa antecipação, essa saudade. Gosto de sorrir como boba só quando falam seu nome.

Gosto de me sentir assim, e gosto de me sentir assim por você. Gosto de pensar que, em algum nível, você sente também. Gosto desse sentimento. Gosto de você.

v i n t e e c i n c o

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Com vinte anos, eu tinha acabado de terminar meu primeiro e único namoro. Estava fragilizada, solitária. Achava que nunca mais fosse amar de novo, e me sentia impossível de ser amada.

Com vinte anos, eu acreditava que eu não tinha valor algum. Estava enfrentando (mais) uma dieta, tentando mudar quem eu era. Eu tomava remédio pra emagrecer. Eu odiava quem eu via no espelho.

Com vinte anos, eu tinha tomado o primeiro tombo de uma editora. Pensava em desistir da carreira. Não sabia exatamente para onde estava indo - só sabia que queria chegar lá.

Com vinte e cinco (ou quase), percebo que cinco anos fazem muito com uma pessoa. Sou a mesma, mas mudei, de todas as maneiras que importam.

Com vinte e cinco, posso não ter encontrado o amor de novo, mas sei que ele vai chegar um dia. Aprendi a amar meu corpo e a mim mesma. Tropecei mais muitas vezes, mas não desisti.

Com vinte e cinco, aprendi a respeitar meu tempo. A olhar para as coisas por outro ângulo. A pedir ajuda.

Com vinte e cinco, estou apenas começando.

CAMPANHA NO PADRIM

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O Padrim é um site de crowdfunding onde todo mês você faz uma colaboração no valor que quiser doar, e esse dinheiro é revertido para que criadores consigam continuar produzindo seu conteúdo! Com doações à partir de R$1,00 por mês, você pode me ajudar - e muito - a continuar escrevendo e trazendo novas histórias!

Confira a campanha e contribua clicando aqui.

Sete

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Outro dia li que, a cada sete anos, todas as células do nosso corpo são completamente trocadas. Aquilo ficou na minha cabeça - e hoje eu lembrei por que.

Já fazem sete anos. Sete anos e sou uma pessoa diferente; em todos os sentidos da palavra, agora. Sete anos de coisas que você não viveu comigo, sete anos de mudanças por dentro e por fora. Se me visse hoje, aposto que nem me reconheceria. As vezes nem eu reconheço.

E o texto tinha razão. Como é reconfortante saber que tenho um corpo que você nunca tocou. Não por arrependimento, mas por ter a certeza de um ciclo perfeitamente fechado - todas as histórias, gravadas em cada célula em mim, destruídas por completo. Não há mais nada seu para trás. Hoje, sou só minha.

Identidade

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Ela não era ninguém. Isto é; era alguém, como todo mundo o é, mas não tinha certeza de quem era esta pessoa. Vinha construindo seus gostos com base nos de seus amigos, suas convicções a partir de coisas que escutava. Ela cresceu sendo tão moldada que, sem perceber, era menos pessoa e mais boneca de pano, tão vazia de si que as vezes era difícil até ficar de pé.

Ela passou muito tempo atrelando sua identidade a outros alguéns. Era irmã de fulana, prima de ciclano, namorada de não sei quem. Ela passou tanto tempo sendo o anexo de outras pessoas que, um dia, quando deixada por aqueles em volta de quem se construira, não sabia mais quem era.

E que confronto interessante foi aquele com sua própria identidade. Não teve hora nem lugar pra acontecer - não foi um embate direto, mas sim uma sequência de pequenas batalhas que não tiveram perdedores ou vencedores. Sua identidade perdida ganhou ao se recuperar, e ela ganhou ao descobrir quem era.

Mas descobriu? Não sabe ao certo. Parece que todo dia a resposta muda. De uma coisa, contudo, ela sabe: não é o apêndice de outra pessoa, não depende do olhar do outro para ser alguém. Ela existe, independente de quem a cerca. Ela resiste, e sobrepõe todas as adversidades. Ela se realiza, pelo simples fato de ser.

De ser eu.

O adeus

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Despedidas são difíceis. Sempre são. A gente acha que está pronto, que está vacinado, mas nunca está.

É difícil chegar em casa e ver um espaço vago onde as suas coisas costumavam ficar. A sensação de vazio me enche toda vez que olho pra onde você costumava ficar, e as vezes é insuportável.

Ninguém nunca está pronto pra dizer adeus a alguém que se ama, a alguém que esteve com você por mais de uma década. Não sei por quanto tempo vai doer. O que ficam são as lembranças boas. O sofrimento - o seu, em especial - acaba. A vida continua. E, seja onde for, um dia a gente se encontra de novo.

Eterno

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Eu me lembro de todas as histórias que ela costumava contar.

Minha infância foi uma sucessão de noites na casa dela. Entre doces e brincadeiras, na hora de dormir, ela sempre contava uma história, geralmente sobre a sua vida e sobre como as coisas eram diferentes quando ela era mais jovem. Algumas histórias foram repetidas várias vezes, e eu me lembrava de pensar "já sei essa de cor". 

Hoje, eu daria tudo para ouvi-la contando as mesmas histórias mais uma vez.

Eu nem sabia que dava pra sentir tanto a falta de uma pessoa até perdê-la. Parte de mim sempre achou que ela seria para sempre, eu acho, existindo fora dos padrões de longevidade humanos. Mesmo no final, mesmo sabendo, custei a acreditar. Como alguém que era pra viver pra sempre apenas... se vai?

Tudo mudou depois que ela foi embora. Há tantas coisas que ela deixou de ver, histórias que deixou de ouvir e contar. Quando passo em frente à sua casa, Ainda tenho a impressão de vê-la na janela. Quando penso nela, Ainda tenho a sensação de tê-la por aqui.

Talvez fosse este, então, o tal viver para sempre. Talvez eu estivesse certa, e ela seja eterna - só não da maneira como eu gostaria. Ela está nos cantos da casa, no meu sangue e nas memórias que eu reconto para não esquecer. Ela vive sempre que digo o nome dela. Hoje, ela é só uma história - mas é a melhor que eu jamais vou ter.

"The ones who love us never really leave us."

Como fazer pedidos de parceria

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Blogs literários e pedidos de parceria são uma constante no meu trabalho como autora - assim como, tenho certeza, acontece com praticamente todo autor nacional. Blogs e canais literários, em suas mais diferentes facetas, são os grandes aliados na hora de nós, autores iniciantes, divulgarmos nosso trabalho. Uma parceria bem realizada rende frutos muito bons para ambos os lados; o autor se torna mais conhecido, e invariavelmente consegue mais leitores, e o blogueiro ganha mais prestígio ao realizar um bom trabalho, invariavelmente angariando mais visitas ao seu site e, provavelmente, novas parcerias.

Mas com o passar dos anos, venho notando um despreparo cada vez maior por parte dos blogueiros iniciantes, bem como dos autores, na hora de buscar, oferecer e firmar as ditas parcerias. Sem discutir aqui os motivos por trás de cada um (porque, sério, essa discussão vai longe e não vem ao caso aqui), o que eu vejo é um imenso desrespeito de ambas as partes para com o trabalho do outro. Valorizar seu próprio trabalho é fundamental, sim, mas lembrar de valorizar o trabalho alheio também é imprescindível para que tanto a literatura quanto os blogs consigam crescer em conjunto. E é aí que eu tive uma ideia! Lembrando do meu já antigo Manual de Bons Modos, por que não fazer um guia simples pra ajudar o pessoal a pedir parcerias de uma maneira mais educada e eficaz?

PARA OS BLOGUEIROS

- Lembre-se de sempre, S E M P R E pesquisar sobre o autor que você pretende ter como parceiro. Isso inclui saber quais livros ele já publicou, olhar no seu site se ele realiza parcerias e saber de que formas você pode ter acesso ao trabalho dele. Um autor que só publica e-books, por exemplo, terá um jeito diferente de realizar parcerias, e é importante se preparar para essa possibilidade.

- RESPEITE O ESCRITOR. Você pode fazer isso de maneiras básicas, como não mandando e-mails idênticos para todos os autores que te interessam, personalizando o e-mail com o nome dele e dizendo os motivos pelos quais se interessa pelo trabalho dele. Além de respeitoso, isso também mostra ao autor que você está de fato interessado no trabalho que ele produziu, e não em ter um livro pra ler.

- Apresente dados sobre o seu blog ou canal. Mande o link, fale sobre números de acessos, ou, se for um veículo pequeno, fale sobre o engajamento da sua audiência. PREPARE UM MEDIA KIT. Dê ao autor motivos para fechar parceria com você e lembre-se que um dos principais requisitos quando a gente pensa em divulgação ainda é a questão visibilidade. Isso não significa que blogs pequenos não tem chance, só quer dizer que informação é a alma do negócio.

- Não mande seu endereço no primeiro e-mail de pedido de parceria. Apenas... não faça isso.

- E, sob hipótese nenhuma, envie um e-mail encaminhado e/ou com cópia para vários autores diferentes. Sério. Não.



PARA OS AUTORES

- Pesquise os blogs que te interessam. Certifique-se de que aquele site que você tanto ama resenha livros do seu gênero, pra não dar bola fora. E nunca, N U N C A saia enviando livros sem entrar em contato com a pessoa antes, mesmo que você tenha os dados da caixa postal dela. Receber livros é legal, mas isso não é garantia nenhuma de que você será lido. Se o seu intuito é uma parceria mesmo, com resenha e divulgação, CONVERSE! Mande um e-mail. Não custa nada.

- Quando entrar em contato, certifique-se de dizer de onde conhece o blog, porque gostaria de firmar parceria e as maneiras em que pode ajudar. RESPEITE O TRABALHO DO BLOGUEIRO. A galera rala muito pra fazer uma coisa legal.

- Se for abrir chamada para parcerias, deixe bem claro quais são as condições e as suas expectativas. Você tem todo o direito de só querer blog com um número X de acessos, ou de exigir uma resenha em 30 dias, mas o blogueiro também tem o direito de saber quais são as condições antes de se inscrever e decidir se pode cumpri-las ou não. Às vezes o que falta de tempo sobra de interesse, e você pode acabar firmando parcerias que não darão certo por pura falta de comunicação.

- BLOGUEIRO NÃO FAZ MILAGRE! Ou ainda, NINGUÉM É OBRIGADO A GOSTAR DO SEU LIVRO. Não seja o tipo de autor que exige resenhas positivas, uma super divulgação em outdoors e que não tem noção do quão trabalhoso ter um blog é. Novamente, respeite o trabalho dos blogs, e converse com os seus parceiros pra que todo mundo possa tirar o melhor da parceria. Não seja um autor mimizento.


Espero ter sido útil! Sintam-se livres para fazerem considerações a mais aí nos comentários!
Até mais ;)

A impostora

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Sou constantemente assombrada pelo fantasma da minha incompetência. Não consigo evitar.

É engraçado, porque a vida inteira, a única certeza que eu tive era a de que podia escrever. Não, podia não - sabia. Dominava. Sempre foi a única coisa em que acreditei que era boa, a que me agarrei quando nada mais dava certo. Eu não era boa em cálculos, em fazer provas e não sabia o que queria da vida, mas a escrita... na escrita eu podia confiar.

E confio. Um pouco. Eu acho. Mas parece que, quanto mais profissional me torno, menos acredito no meu potencial. Me pego às vezes escrevendo e me perguntando quem diabos ia querer ler aquilo. Fico imaginando se algum dia chegarei a viver da profissão que escolhi, não porque ela é difícil, mas porque talvez eu não seja boa o suficiente. Comercial o suficiente. Atrativa o suficiente.

E essa sensação me sufoca. Como todas as incertezas na minha vida, ela se torna uma bola de neve enorme em que já nem sei mais o que sou eu e o que é a ansiedade. Procuro alento nos leitores, nos amigos, nas histórias. E está tudo bem, enquanto somos só eu e o livro, eu e os personagens. Deixa de estar bem quando preciso encarar o mundo real.

Sou constantemente massacrada pelos meus próprios medos. Medo de nunca terminar o próximo projeto, de nunca escrever algo tão bom quanto o anterior, medo de ter perdido a mão. Me pergunto em que momento eu deixei de acreditar no que costumava ser meu único sossego. Me pergunto se algum dia vou ter essa certeza de volta.

Vulcão

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Se eu fosse vulcão, meus sentimentos seriam lava. Eles me preenchem, se agitam em mim até vazarem, levando tudo em seu caminho.

Não sei sentir pela metade. Não sei estar um pouco interessada, meio decepcionada ou um pouco triste. Tudo que eu sinto me suga, todos os sentimentos me dominam. Às vezes é tanta felicidade que canto sozinha. Às vezes a raiva me cega. Às vezes a incerteza sussurra tão alto ao meu ouvido que não consigo acreditar em mais nada.

Se meus sentimentos fossem chuva, eu seria alagamento. Nasci para transbordar. Em algum lugar, eu sei, há um barco me esperando para me levar pela inundação. Até lá, faço o que aprendi a fazer melhor e nado dentro de mim.

Larissa Responde #30

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Saudade

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Eu sinto sua falta.

Sinto falta da sua presença. Sinto falta de como você me abraça, de como sua voz ressoa nos meus ouvidos. Sinto falta de como seus dedos se encaixam perfeitamente entre os meus.

Eu sinto sua falta.

Sinto falta de ouvir sobre o seu dia. Sinto falta de rir das suas piadas idiotas e de te mandar fotos do que estou fazendo. Sinto falta das longas horas em que não nos falamos e das semanas infinitas quando não te vejo.

Eu sinto sua falta.

Sinto falta das conversas que ainda não tivemos. Sinto falta dos segredos que ainda não te contei, das partes que você não tocou e dos beijos que não te dei. Sinto falta do futuro que ainda está por vir, e do passado que tivemos, que me faz sorrir enquanto lembro.

Eu sinto sua falta. Sinto falta de nós dois.

Corda Bamba

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Às vezes, eu acho que as pessoas me odeiam.

Não é minha culpa. Não penso isso de maneira consciente, uma especulação voluntária sobre o caráter delas. É que as vezes, meu cérebro me sussurra coisas. Coisas que não quero ouvir, mas não posso evitar escutar. Coisas que me fazem mal.

Está nos pequenos detalhes. Na risada partilhada com outras pessoas bem no momento em que estou passando. Num olhar que interpretei errado. Numa mensagem que parece ter um tom diferente da habitual. Está tudo bem até não estar - e de repente, me convenci de que todo mundo me odeia. Como não odiariam? Lembro daquele comentário negativo que fiz em 2008 ou do desentendimento que tivemos mês passado. Lembro de todas as micro ações do meu dia a dia que podem tê-los levado a me odiar. Essas imagens me assombram a noite. Não consigo dormir porque sei que falhei, em tantos pontos que já é impossível corrigir.

Metade do tempo, não sei se o que eu vejo está realmente ali ou se foi só invenção da minha cabeça. A ansiedade me consome de uma maneira tão brutal que a realidade é distorcida diante das suas lentes. Preciso de reafirmações, de segurança, de certezas que já nem sei mais onde procurar. Preciso saber que sou amada, mas acima de tudo, preciso me convencer disso. Todos os dias.

E nesse meu caminho de loucura, tento não espalhar meu veneno. Tento não fazer com que me odeiem por conta dos meus pensamentos ruins. Já dei motivos suficientes, mas esses tento não dar. Disfarço. Finjo que não vejo os olhares, não ouço as risadas, não noto as nuances nas mensagens. Finjo e grito comigo mesma até me convencer que não me odeiam tanto assim. Não por isso. No meu circo particular, ando sempre na corda bamba, me perguntando quando é - se é - que vou me convencer que talvez, só talvez, seja possível me amar.

Querida Malena

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Querida Malena,

Hoje você faria 24 anos! É engraçado pensar nisso, porque quando te conheci, você tinha 15 anos e era uma garota sem medo do mundo, forçada a passar por situações muito desagradáveis. Você era jovem demais para carregar todo o peso que foi forçada a carregar, e isso te moldou das melhores e piores formar possíveis.

Eu ainda me lembro do dia em que nos conhecemos! Eu estava em casa, assistindo um filme, quando você apareceu do nada na minha cabeça. Você me sussurrou suas lembranças, e me perseguiu durante todo aquele final de semana. Você me contou da sua família, dos seus muitos irmãos, dos acidentes inexplicáveis que estavam acontecendo com você. Não consegui sossegar até sentar e escrever a sua história.

E quanta coisa mudou nesses últimos nove anos! Graças a você, conheci leitores que se tornaram meus amigos. Graças a você, perdi a vergonha de dizer que era escritora. Graças a você, consegui alçar voos mais altos, e cheguei hoje aonde estou. Nada disso teria sido possível se não fosse você. Você me fez ter coragem, me ajudou a abandonar as incertezas. Eu aprendi tanta coisa com você, e sofri quando te fiz sofrer, chorei te vendo chorar. Crescemos juntas, cada uma à sua maneira.

Ah, minha querida Malena. Obrigada pelos últimos nove anos. Tem sido uma aventura e tanto. E espero que agora, onde quer que você esteja. a vida te trate um pouquinho melhor.

Com amor, da criadora,
Larissa

Compre As Bruxas de Oxford - O Coração da Magia - O Senhor das Almas

Como nasceu #ParaAnaComAmor

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Algumas histórias são mais difíceis de contar do que outras. Às vezes a gente tem o impulso de falar sobre uma coisa, mas percebe que não está preparado praquilo. Outras vezes, a gente supera alguns demônios e se propõe a enfrentar as dificuldades de cabeça erguida.

Para Ana, Com Amor foi uma mistura das duas coisas.

A iniciativa não partiu de mim. Eu estava revisando Amor Plus Size com a Alba, antes mesmo de termos uma editora para publicar, e ela me disse: "por que você não faz um livro 'companion'? Sabe, um curtinho, contando a história da Duda?"

A ideia parecia boa. Quando penso em livros que tratam de distúrbios alimentares, consigo pensar em um, no máximo dois títulos. Como todo transtorno mental, ainda são assuntos pouco explorados e muitas vezes tratados como tabu. Eu poderia fazer diferente. Poderia?

Não lembro se respondi alguma coisa, mas lembro de ter me negado veementemente a fazê-lo. Tendo eu mesma brincado no limite, a ideia de entrar completamente na cabeça de alguém tão devastado pela doença como a Maria Eduarda era uma perspectiva assustadora. Meu primeiro pensamento foi: "esse livro vai acabar comigo". Pra que arriscar minha saúde mental? Não fazia sentido.

Mas quanto mais eu me negava a escrever, mais as ideias vinham. Uma pontinha no começo, e de repente palavras e frases e páginas inteiras. Elas me perturbavam à noite, e numa bela madrugada de Fevereiro de 2015, resolvi escrever. Três páginas à mão, e foram o suficiente para que eu me convencesse de que eu estava certa: aquele livro ia acabar comigo. Mas isso não me impediria de escrevê-lo.

Levei um ano e meio para colocar um ponto final na história. Quando terminei, já tinha passado por altos e baixos, oscilações de humor e incontáveis pequenas crises de ansiedade. Enquanto escrevia, me peguei sem querer fazendo jejum de longas horas para acompanhá-la, contando calorias das minhas refeições e me sentindo enjoada com a ideia de comer. Não é fácil escrever sobre personagens perturbados, menos ainda quando eles se relacionam de maneira tão próxima com você. Duda interferiu na minha vida e me fez chorar por dores que não vivi, enquanto sussurrava horrores ao meu ouvido. A história dela era triste, impalatável, difícil de contar. Mas contei. Cheguei ao final sabendo que dificilmente conseguiria escrever algo parecido se não tivesse me deixado levar tão intensamente pelas emoções dela.

Algumas histórias são mais difíceis de contar do que outras - mas todas merecem ser contadas.

Confira o primeiro capítulo de Para Ana, Com Amor   -   Divulgue no twitter com a hashtag #ParaAnaComAmor

La La Land e os amores que nunca foram

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ATENÇÃO: NÃO LEIA ESSE TEXTO SE NÃO TIVER ASSISTIDO "LA LA LAND". PERIGO DE SPOILER!

Semana passada fui finalmente assistir o tão premiado e comentado La La Land: Cantando Estações. Não sou exatamente fã de musicais, mas a perspectiva de um filme com duas horas de Emma Stone e Ryan Gosling foi mais que o suficiente pra me convencer a ir ao cinema.

Esperava uma história de amor regada a números de dança aleatórios, diálogos musicais e um final feliz pra acalentar o coração. Mas me deparei com cores brilhantes retratando uma realidade muito mais sem cor: a dos amores que nunca foram.

Mia e Sebastian são aquele casal incrível que pede pra acontecer; se encontram em todos os lugares, tem situações de vida parecida, e eventualmente encontram seu caminho até o outro. O romance é óbvio e mágico e te faz suspirar. A gente embala na história esperando que, como em todo filme de Hollywood, eles superem todas as diferenças e descubram que o amor é maior que tudo.

No entanto, quanto mais o filme avançava, mais eu era inundada naquele banho de água fria que é a realidade. Mia e Sebastian sempre vão se amar, da mesma forma como você nunca esquece completamente aquele seu primeiro grande amor, mas isso não é o suficiente. A vida afasta as pessoas, e a vida afastou os dois. Sonhos e carreira se tornaram maiores e mais importantes, e no final, foi preciso abrir mão de alguma coisa.

Conforme as cenas finais se desenrolavam, fiquei pensando nisso. Pensei em todas as possibilidades de futuro que nunca tive, todos os amores que deixaram de ser, todos os sonhos que perdi pelo caminho. A vida é uma estrada enorme cheia de bifurcações, e pra cada escolha que a gente faz, deixamos para trás um número infinito de futuros. Tudo que era pra ser e não foi. De repente, aqueles futuros pesaram sobre os meus ombros.

Mas então, tal qual Sebastian e Mia, acenei e sorri pro meu passado. Eu fiz minhas escolhas, e posso passar a vida inteira debatendo sobre os caminhos que não percorri, ou me concentrar na estrada à minha frente. Escolhi a estrada. Quando o jazz acabou e as luzes se acenderam, saí da sala e deixei as músicas antigas para trás.

Leia ouvindo: City of Stars

Lembrança

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Eu ainda me lembro de cada detalhe.

Lembro do dia em que cheguei, nervosa e cansada. Das despedidas molhadas no aeroporto, das conexões e as longas horas de viagem. Eu não dormi nada naquelas 20 e tantas horas de trajeto. Me lembro de chorar quando descobri que minha mala havia sido extraviada e me perguntar se aquele era um sinal de que os piores dias da minha vida estavam por vir. E então de sorrir ao ser acolhida pela nova família, e de não conseguir conversar nos primeiros dias, porque por mais que eu quisesse, por mais que eu soubesse, meu cérebro não conseguia entender nem processar nada.

Lembro daquele primeiro mês, tão cheio de novidades. De correr nervosa entre as salas de aula e ir aos poucos fazendo amigos de todas as nacionalidades. Lembro da primeira vez que falei com alguém que não era intercambista - Chelsea, da aula de Marketing - e de sentir orgulho de mim mesma por conseguir sair da minha zona de conforto. Lembro de ver a neve cair e correr pra fora do prédio bem a tempo de sentir os primeiros flocos caindo no meu rosto.

Lembro de todas as aventuras que tive por lá. Lembro das tardes à beira do lago quando fez calor, dos finais de semana em Vancouver, da viagem de Páscoa. Lembro das coisas grandes, e das pequenas também - a combinação pro meu armário na escola, o cheiro do meu quarto e o frio que fazia na despensa. Lembro tudo todos os dias, e conto as lembranças para não esquecer. Choro às vezes de saudade, e quando choro, sorrio, porque sentir saudade significa que foi bom. Que existiu. Que foi meu.

Lembro da sensação de voltar pra casa e perceber que as coisas não eram mais as mesmas. Não sei ao certo quando foi que entendi que minha casa jamais seria minha de novo, mas hoje eu vejo. Meu lar é aqui, mas também é lá, mas não é lá de verdade. Eu já nem sei mais a que lugar pertenço, nem se quero pertencer a um lugar só. Só sei que foi real, e que foi bom, e que será para sempre todo meu. Cada detalhe.

Larissa Responde #29

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Quebra-cabeças

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A cada bom dia, um pedaço meu fica com você. Nas horas que passo pensando em como você está, e nas conversas que a gente tem ao longo do dia, esse pedacinho meu se multiplica em boas energias pra te alcançar.

Cada vez que eu te abraço, um pedaço meu fica com você. Ele se prende na curva do seu pescoço e penetra tua pele, e antes que você saiba, esse pedaço virou o meu perfume grudado na sua roupa pra não te deixar esquecer.

Cada vez que eu te escrevo, um pedaço meu fica com você. Fica impregnado na tinta da caneta, e se desprende enquanto você me lê, uma palavra de cada vez.

Cada vez que eu me despeço, um pedaço meu fica com você. Está no gosto do beijo do até logo, e no sorriso que eu te dou enquanto vejo as portas do trem se fechando. Ele se perde na tua corrente sanguínea e se transforma na saudade que a gente sente minutos depois de ir embora.

De pedacinho em pedacinho, te entrego partes minhas que nunca entreguei a ninguém. Te vejo montar esse quebra-cabeças maluco que sou eu, enquanto você desvenda minhas muitas peças e se esforça pra fazer com que elas façam sentido. E eu sei que, enquanto isso, também estou guardando os pedacinhos seus, tão únicos e belos, e montando meu próprio quebra-cabeça. Um que, alguma hora, de alguma forma, vai completar o meu.

Colônia

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Essa semana eu tive um sonho muito, muito bizarro. Uma espécie de loucura pós-apocalíptica, pessoas tentavam se salvar de monstros que invadiam um complexo no meio do deserto. Infelizmente, acordei na metade dele, e fiquei pensando - como será que ele termina?

Resolvi escrever. E depois que escrevi, resolvi trazer. Então lá vamos nós. Espero que vocês. gostem ;)

 
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