Corda Bamba

Às vezes, eu acho que as pessoas me odeiam.

Não é minha culpa. Não penso isso de maneira consciente, uma especulação voluntária sobre o caráter delas. É que as vezes, meu cérebro me sussurra coisas. Coisas que não quero ouvir, mas não posso evitar escutar. Coisas que me fazem mal.

Está nos pequenos detalhes. Na risada partilhada com outras pessoas bem no momento em que estou passando. Num olhar que interpretei errado. Numa mensagem que parece ter um tom diferente da habitual. Está tudo bem até não estar - e de repente, me convenci de que todo mundo me odeia. Como não odiariam? Lembro daquele comentário negativo que fiz em 2008 ou do desentendimento que tivemos mês passado. Lembro de todas as micro ações do meu dia a dia que podem tê-los levado a me odiar. Essas imagens me assombram a noite. Não consigo dormir porque sei que falhei, em tantos pontos que já é impossível corrigir.

Metade do tempo, não sei se o que eu vejo está realmente ali ou se foi só invenção da minha cabeça. A ansiedade me consome de uma maneira tão brutal que a realidade é distorcida diante das suas lentes. Preciso de reafirmações, de segurança, de certezas que já nem sei mais onde procurar. Preciso saber que sou amada, mas acima de tudo, preciso me convencer disso. Todos os dias.

E nesse meu caminho de loucura, tento não espalhar meu veneno. Tento não fazer com que me odeiem por conta dos meus pensamentos ruins. Já dei motivos suficientes, mas esses tento não dar. Disfarço. Finjo que não vejo os olhares, não ouço as risadas, não noto as nuances nas mensagens. Finjo e grito comigo mesma até me convencer que não me odeiam tanto assim. Não por isso. No meu circo particular, ando sempre na corda bamba, me perguntando quando é - se é - que vou me convencer que talvez, só talvez, seja possível me amar.

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