Vulcão

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Se eu fosse vulcão, meus sentimentos seriam lava. Eles me preenchem, se agitam em mim até vazarem, levando tudo em seu caminho.

Não sei sentir pela metade. Não sei estar um pouco interessada, meio decepcionada ou um pouco triste. Tudo que eu sinto me suga, todos os sentimentos me dominam. Às vezes é tanta felicidade que canto sozinha. Às vezes a raiva me cega. Às vezes a incerteza sussurra tão alto ao meu ouvido que não consigo acreditar em mais nada.

Se meus sentimentos fossem chuva, eu seria alagamento. Nasci para transbordar. Em algum lugar, eu sei, há um barco me esperando para me levar pela inundação. Até lá, faço o que aprendi a fazer melhor e nado dentro de mim.

Larissa Responde #30

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Saudade

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Eu sinto sua falta.

Sinto falta da sua presença. Sinto falta de como você me abraça, de como sua voz ressoa nos meus ouvidos. Sinto falta de como seus dedos se encaixam perfeitamente entre os meus.

Eu sinto sua falta.

Sinto falta de ouvir sobre o seu dia. Sinto falta de rir das suas piadas idiotas e de te mandar fotos do que estou fazendo. Sinto falta das longas horas em que não nos falamos e das semanas infinitas quando não te vejo.

Eu sinto sua falta.

Sinto falta das conversas que ainda não tivemos. Sinto falta dos segredos que ainda não te contei, das partes que você não tocou e dos beijos que não te dei. Sinto falta do futuro que ainda está por vir, e do passado que tivemos, que me faz sorrir enquanto lembro.

Eu sinto sua falta. Sinto falta de nós dois.

Corda Bamba

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Às vezes, eu acho que as pessoas me odeiam.

Não é minha culpa. Não penso isso de maneira consciente, uma especulação voluntária sobre o caráter delas. É que as vezes, meu cérebro me sussurra coisas. Coisas que não quero ouvir, mas não posso evitar escutar. Coisas que me fazem mal.

Está nos pequenos detalhes. Na risada partilhada com outras pessoas bem no momento em que estou passando. Num olhar que interpretei errado. Numa mensagem que parece ter um tom diferente da habitual. Está tudo bem até não estar - e de repente, me convenci de que todo mundo me odeia. Como não odiariam? Lembro daquele comentário negativo que fiz em 2008 ou do desentendimento que tivemos mês passado. Lembro de todas as micro ações do meu dia a dia que podem tê-los levado a me odiar. Essas imagens me assombram a noite. Não consigo dormir porque sei que falhei, em tantos pontos que já é impossível corrigir.

Metade do tempo, não sei se o que eu vejo está realmente ali ou se foi só invenção da minha cabeça. A ansiedade me consome de uma maneira tão brutal que a realidade é distorcida diante das suas lentes. Preciso de reafirmações, de segurança, de certezas que já nem sei mais onde procurar. Preciso saber que sou amada, mas acima de tudo, preciso me convencer disso. Todos os dias.

E nesse meu caminho de loucura, tento não espalhar meu veneno. Tento não fazer com que me odeiem por conta dos meus pensamentos ruins. Já dei motivos suficientes, mas esses tento não dar. Disfarço. Finjo que não vejo os olhares, não ouço as risadas, não noto as nuances nas mensagens. Finjo e grito comigo mesma até me convencer que não me odeiam tanto assim. Não por isso. No meu circo particular, ando sempre na corda bamba, me perguntando quando é - se é - que vou me convencer que talvez, só talvez, seja possível me amar.
 
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